Mação: Simpósio internacional vai homenagear padre Joaquim da Silva Tavares, fundador da revista «Brotéria»

«Casais de São Bento é do interior do interior do concelho, mas, lá nas profundezas alguém abriu as portas, alguém voou, voou para o mundo», destacou José Fernando Martins

Mação, 02 nov 2026 (Ecclesia) – O Município de Mação quer homenagear e dar a conhecer a vida de pessoas “célebres, que deram contributos para a sociedade” naturais desta região, e começam por um simpósio internacional dedicado ao padre Joaquim da Silva Tavares (Jesuíta).

“O padre Joaquim da Silva Tavares foi um elemento inspirador, ainda hoje é um elemento inspirador em muitas das descobertas e das ciências que se praticam; é um grande orgulho para mim, e acho que para a comunidade maçaense, um conterrâneo nosso ter sido um dos fundadores da Revista Brotéria, que ainda hoje se destaca na nossa sociedade, todo trabalho que ele fez nessa matéria é extremamente importante”, disse o presidente do Município de Mação, em entrevista à Agência ECCLESIA.

José Fernando Martins explica que pretendem dizer às pessoas de Mação que têm “pessoas notáveis e que é importante que todos as conheçam”, e sublinha a dimensão do “orgulho maçaense”, do orgulho local: “Naquele sentido, nós somos bons, nós temos pessoas de bem”.

“Com este simpósio, e com toda esta envolvência, pretendemos dizer nós estamos aqui, somos do interior, Casais de São Bento é do interior do interior do concelho, mas, efetivamente, lá nas profundezas do concelho, alguém abriu as portas, alguém voou, voou para o mundo e destacou-se”, acrescentou.

O município da Diocese de Portalegre-Castelo Branco já está a realizar um ciclo de trabalhos junto das escolas do Primeiro Ciclo e do Secundário sobre o padre Joaquim da Silva Tavares, “que está a ser um sucesso, os alunos que desconheciam todas estas situações passam a olhar para esta história local com muito mais atenção”.

“E, transmitir também esta mensagem aos alunos das escolas, que é importante voar, é importante saber voar, é importante saber sair do seu casulo, e é importante ir para o mundo à procura daquilo que entendemos como melhor, e Joaquim da Silva Tavares é um grande exemplo, e é um pouco este exemplo que queremos dar para os nossos alunos das escolas”, realçou o autarca.

No primeiro dia do simpósio há duas sessões formativas com professores e alunos do 3.º ciclo e ensino secundário, com o tema ‘a figura, a obra e a relevância cultural e científica de Joaquim da Silva Tavares a nível nacional e internacional’.

O Simpósio Internacional dedicado ao padre Joaquim da Silva Tavares vai realizar-se esta sexta-feira e sábado, dias 6 e 7 de novembro, em Cardigos, no Município de Mação; o sacerdote jesuíta (Companhia de Jesus) nasceu há 160 anos, a 17 de agosto de 1866, no lugar de Casais de S. Bento, de onde saiu aos 14 anos e “passou a ter uma vida notável”.

O presidente da Câmara de Mação explica que querem aprofundar como é que o padre Joaquim da Silva Tavares” viveu até aos 14 anos”, conhecem “a casa de família onde terá crescido até essa idade”, “e foi para o mundo, abriu a sua visão”, e recorda que o investigador Francisco Serrano, outra “pessoa notável” desta região, dizia ‘quem muito quiser saber, corra o mundo ou aprenda a ler’, e o sacerdote jesuíta “fez as duas coisas”.

O simpósio internacional, pelos 160 anos de nascimento do padre Joaquim da Silva Tavares, começa às 18h00, de sexta-feira, na Casa do Cidadão, em Cardigos, com intervenções oficiais, a apresentação do livro ‘Joaquim da Silva Tavares, S. J. 1866-1931 – Um Mestre Empreendedor da Ciência e da Fé’, de Ana Lúcia Ferreira, a inauguração da Exposição ‘Leitores do Património – Joaquim da Silva Tavares S.J., um herói da ciência’, dos alunos do 1.º ciclo, e visita ao busto do sacerdote, na praça principal da freguesia que está a ser requalificada.

O segundo dia deste encontro, também em Cardigos, decorre entre as 09h00 e as 18h00, exceto a visita a Casais de São Bento para apresentação do projeto da casa-memória e lançamento da primeira pedra, pela hora do almoço.

“Entendemos relançar a figura de Joaquim da Silva Tavares na sua própria aldeia, no espaço da casa onde terá nascido, e vamos fazer um espaço de memória. A casa já foi adquirida há algum tempo pela Câmara Municipal, o espaço estava numa situação de ruína total que era irrecuperável. Vamos reconstruir a fachada da casa, criá-la como um pátio, e esse será um local de memória aberto, com património que faça lembrar um bocadinho a infância e o nascimento do padre Joaquim da Silva”, adiantou o presidente do Município de Mação.

A Câmara Municipal de Mação integra a comissão organizadora do um Ciclo de Homenagens a quatro cardiguenses, quatro sacerdotes, que se destacaram a nível nacional e internacional em diversas áreas, no século XIX, que vai decorrer até 2029.

Joaquim da Silva Tavares (Cardigos, 17 de Agosto de 1866 – Paris, 2 de Setembro de 1931) entrou para a Companhia de Jesus oficialmente em 1888 e foi professor no Colégio de Campolide e no Colégio de São Fiel.

No Colégio de São Fiel assumiu diversos cargos tais como o de dirctor do Herbário e do Museu de História Natural e o de reitor, cargo para o qual foi nomeado em 1908.

Fundou a revista «Brotéria – Sciencias Naturaes» no ano de 1902, em Louriçal do Campo, no distrito de Castelo Branco, em homenagem ao naturalista português Félix de Avelar Brotero, juntamente com Cândido Azevedo Mendes S.J. e Carlos Zimmermann S.J., professores no Colégio de São Fiel.

CB/OC

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