Lisboa acolheu apresentação da obra «Igrejas Históricas de Luanda e o Santuário da Muxima»

Lisboa, 15 set 2026 (Ecclesia) – Os presidentes das Conferências Episcopais de Portugal e de Angola sublinharam, em Lisboa, a vitalidade do intercâmbio missionário e a riqueza do património espiritual partilhado entre os dois países.
D. José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo (Angola), defendeu que a missionação é “um dar e um receber recíproco”, assinalando a atual inversão do fluxo de evangelizadores, que agora partem de África para a Europa.
“Tanto ontem foram os missionários que saíram da Europa para lá, hoje são os angolanos que saem de lá para evangelizar o mundo”, declarou à Agência ECCLESIA o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), esta segunda-feira.
O responsável reconheceu com gratidão o “grande dom da fé” que o seu povo recebeu, sublinhando que o serviço do amor não tem fronteiras e continua a motivar cristãos a “testemunhar e oferecer aos irmãos a alegria do Evangelho” noutras paragens.
Já o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Virgílio Antunes, corroborou a qualidade dos laços bilaterais, garantindo que as relações entre as duas igrejas locais são “muitíssimo boas”.
O bispo de Coimbra salientou a “grande abundância de vocações” em Angola e o seu “contributo imenso” para as dioceses e comunidades portuguesas num período marcado por novas dinâmicas sociorreligiosas.
“Enriquece-nos a nós, porque conhecemos uma forma de viver a fé que é própria, embora tenha muito a ver com aquilo que são estas raízes do tempo da missionação”, observou o presidente da CEP.
O responsável católico português evocou a sua experiência no Santuário da Muxima, em Angola, revelando que a dimensão das peregrinações locais comprova como os fundamentos católicos “penetraram de forma tão indelével no coração e na mente das pessoas mais simples”.
As declarações decorreram à margem da apresentação em Lisboa do livro ‘Igrejas Históricas de Luanda e o Santuário da Muxima’, uma obra que analisa a presença cristã em território angolano desde 1575.
D. José Manuel Imbamba considerou o volume um registo de marcas artísticas e estéticas que atestam a “maturidade” dos crentes locais, face às suas raízes.
O padre Vicente Cacuchi, presidente da Associação para a Cultura e Desenvolvimento de Angola (ACDA), disse à Agência ECCLESIA que o património edificado deve ser visto como uma “peça viva” e não um mero objeto de museu.
“O que fazemos é justamente identificar primeiro, para termos consciência daquilo que é nosso, preservar e, terceiro, expor para usufruirmos”, explicou o sacerdote angolano, sobre o trabalho de salvaguarda cultural promovido pela associação.
O prefácio da obra, assinado por D. José Manuel Imbamba, sintetiza o valor destes monumentos, considerando as igrejas e os santuários “sinais vivos da fé que atravessa gerações e molda identidades, sensibilidades e formas de convivência comunitária”.
HM/OC
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