Secretariado nacional promove curso de formação de boas práticas em edifícios eclesiais, que decorre em quatro sessões online

Lisboa, 15 set 2026 (Ecclesia) – A diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja (SNBCI) considera que a Igreja deve planear a conservação preventiva do património para prolongar a vida dos objetos, a propósito da formação que hoje se inicia promovida por este departamento.
“Era muito importante que a Igreja planeasse e que houvesse, desde logo, o traçar de planos de conservação preventiva. E é neste sentido que vai precisamente este curso”, afirmou Fátima Eusébio em entrevista ao programa Ecclesia (RTP2), emitido hoje.
O SNBCI propõe a partir desta terça-feira um curso de formação sobre conservação preventiva, indicando “procedimentos básicos” no cuidado do património imóvel, móvel e integrado que está à responsabilidade das paróquias e ao serviço do culto, que se divide em quatro sessões online.
“Esta proposta afirmativa resulta muito da observação que vamos tendo naquilo que são alguns dos problemas que detetamos em alguns procedimentos e ações inadequadas junto de quem está a lidar com este património”, explicou a responsável.
Fátima Eusébio observa que hoje não há ainda uma atitude proativa logo à retaguarda de perceber que “cada ação que se desenvolve numa igreja, seja desde a limpeza do espaço até ao manuseamento dos objetos e ao seu acondicionamento, tem necessariamente implicações sobre a preservação do objeto, sobre a sua salvaguarda”.
“A verdade é que a ausência de boas práticas, elas já existem implementadas em alguns edifícios, mas, na generalidade, as pessoas lidam [com o objeto], mas sem terem noção de que determinados procedimentos podem estar a prejudicar a preservação do objeto”, indicou.
A diretora do SNBCI alerta que há soluções imediatas que são tomadas que “não ajudam à preservação” do património, no entanto reconhece o trabalho de quem cuida dos espaços e que por vezes não tem formação na forma de lidar com as peças.
“É muito importante valorizarmos estas pessoas, mas como é evidente, a ausência de conhecimentos faz com que muitas vezes os procedimentos adotados não sejam os mais adequados”, salientou.
Fátima Eusébio lembra que é “importante” cada vez mais “pensar que determinadas atuações preventivas vão proporcionar que o objeto se preserve” e fazer com que os danos causados “não sejam tão avultados”.
Falando em ações que podem proteger o património, a responsável apontou a limpeza de escaleiras, das arrecadações, bem como a verificação do estado do telhado anualmente.
“Um simples ato como não varrer a Igreja, mas sim aspirar a Igreja. Isto tem implicações na preservação do património, não só na questão da manutenção do edifício, mas, por exemplo, para não levantar o pó que se vai instalar no património”, disse.
O programa do curso divide-se em quatro módulos sobre “O edifício” (15 de setembro); o “Património integrado”, abordando a “talha/retábulos, pintura mural, azulejaria, pedra” (22 de setembro); o “Património Móvel”, destacando-se a “pintura, escultura, mobiliário” (29 de setembro) e ainda os “têxteis, ourivesaria e livro/documentos” (6 de outubro).
Eva Raquel Neves, da Comissão dos Bens Culturais da Igreja da Diocese de Santarém, será a formadora e, segundo Fátima Eusébio, vai propor olhar “para aquilo que são as realidades mais recorrentes no dia-a-dia das paróquias”.
A diretora do SNBCI garante que este “não é um curso científico”, mas “de boas práticas”: “Há toda uma série de orientações que vão ser dadas de forma muito prática e muito concreta. Que é aquilo que se pretende”.
A iniciativa destina-se a todos os que lidam diariamente ou com alguma frequência com o património da Igreja.
“É gratificante ver que temos também alguns sacerdotes inscritos, diáconos, acólitos também, porque são quem realmente também lida. Depois, os zeladores, como é evidente, são um público fundamental para estar presente nesta formação”, deu conta Fátima Eusébio.
A responsável regista que também algumas irmandades, confrarias e institutos religiosos, bem como catequistas, técnicos de conservação e restauro e de museus são outros dos participantes.
“Depois há algumas inscrições que nos surpreendem, como até arquitetos e engenheiros, mas que é muito bom”, acrescentou.
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