Igreja/Ensino: Educação Moral e Religiosa Católica, a disciplina do acolhimento, valores e humanização

«A escola começa quando os portões se fecham», afirmou o padre Horácio Alves, professor de EMRC na Ilha de São Miguel, Diocese de Angra

Foto: Educris

Fátima, 24 out 2026 (Ecclesia) – Mais de 400 participantes do Simpósio ‘Traçar mapas educativos para uma Magnífica Humanização’ refletiram sobre o ensino, a escola e os alunos, a importância e o contributo da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) para todos.

“É uma educação que tem por base o que não se vê, que é o alicerce, são os valores do cristianismo: o valor do amor, do respeito, do perdão, da luta, e também do reconhecimento, do refazer o caminho. É este Cristo de braços abertos que abraçou a história, o meu passado, o meu presente e o meu futuro, que me ama e quer realmente que nós sejamos felizes. Eu penso que a grande novidade do cristianismo é que dá-nos a possibilidade de sermos felizes e caminhar para isso”, disse o professor João Lopes, docente em Vila Pouca de Aguiar, em declarações à Agência ECCLESIA.

Segundo a professora Liliana Ventura, da Diocese de Aveiro, o que diferencia EMRC das outras disciplinas é “a humanização, a tolerância, o acolhimento, a empatia, a simpatia”, e a diversão também, porque “as aulas têm que ser alegria, porque nós sem alegria não somos nada”.

“Caminhos de abertura, de acolhimento, de tolerância, sobretudo, porque nós não encontramos já aquelas pessoas que sabem tudo sobre a religião católica, neste caso, cristã, ou os valores cristãos. E temos quase que partir da base, eu tenho muitos alunos estrangeiros, de outras religiões, e tem que ser feito esse caminho de base”, acrescentou.

Sandra Santos, professora há 30 anos, salienta que a escola hoje “está completamente diferente”, os desafios também são outros, por isso considera que o caminho é “a atenção e sobretudo a presença”, estarem “para os alunos, escutar as suas necessidades.”

“A humanização é o aluno sentir que não está sozinho”, destacou a professora de Educação Moral e Religiosa Católica no Porto.

“Não sermos só professores que ditam matéria, mas também escutar aquilo que eles têm para nos dizer, no intervalo procurar estar com eles, passarmos e darmos bom dia, olhar nos olhos, o sentir que ali há uma história, há uma vivência. E, ao mesmo tempo, quando saímos da escola, não fechar os portões, porque a escola começa quando os portões se fecham”, acrescentou o padre Horácio Alves, da Diocese de Angra.

O sacerdote açoriano, que dá aulas de EMRC na Ilha de São Miguel e tirou a licenciatura depois de ser ordenado, salientou que quando saem da escola é importante continuarem “a procurar levar os valores, a educação, o sentido da presença”, porque é ai que consegue “ser o professor, o padre, e este padre tem que ser pai com coração de mãe”.

No Simpósio sobre a Educação e a Escola em Portugal os professores de EMRC partilharam este ler continuamente a realidade e a condição do aluno para serem capazes de propor e apresentar caminhos válidos de crescimento em todos os níveis, nos dias 2 e 3 de outubro, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

“A palavra que me vem logo à cabeça é o acolhimento, que acho que é muitas vezes o que nos faz falta, quer para os alunos, quer para os professores. Quando um professor chega à escola, muitas vezes anda um bocadinho às aranhas, sem ajuda, e essa acho que é o essencial, começarmos, acolher tanto professores como alunos”, disse a professora Sandra Santos.

A docente natural de Lisboa, a lecionar em Ponta Delgada (Açores), destacou a importância de estar com os alunos nos intervalos, conversar com eles, e, “muitas vezes, presente na vida deles fora da escola”, porque só assim conseguem “conhecer melhor e ajudar a fazer caminho”.

Sílvia Barros, professora EMRC na Ribeira Brava, Diocese do Funchal (Madeira), contou que se inscreveu “justamente pelo nome” do simpósio ‘Traçar mapas educativos para uma Magnífica Humanização’ que considerou “muito apelativo para os dias de hoje”, e afirma que “é preciso traçá-lo às metas educativas, mas voltado para o ser humano”, para a sua dignidade, para o seu interior e não apenas para os conhecimentos”.

O simpósio, uma iniciativa da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé dos bispos católicos de Portugal, reuniu 420 participantes, e vai estar em destaque no programa ‘70X7’, deste domingo, às 06h35, na RTP2.

HM/CB/OC

Partilhar:
Scroll to Top