Antigo presidente da República interveio no Congresso Internacional «Traçar Novos Mapas de Esperança», promovido pelo Dicastério para a Cultura e a Educação

Cidade do Vaticano, 23 out 2026 (Ecclesia) – Marcelo Rebelo de Sousa, antigo presidente da República Portuguesa, interveio hoje num congresso promovido pelo Vaticano sobre a Educação, apelando a uma pedagogia de paz com diálogo, justiça e compromisso solidário
“Se esta onda virada para a fé for uma onda com caridade, há esperança na construção da paz, mas se for uma onda apenas de nome, de rótulo, de rito, de posição intelectual, perderemos uma hipótese única de educar e construir a paz”, alertou, numa intervenção citada pelo portal ‘Educris’, do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC).
O Congresso Internacional da Pastoral Escolar e Universitária, que se conclui esta tarde, é organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação (Santa Sé), liderado pelo cardeal português D. José Tolentino Mendonça.
Subordinado ao tema ‘Desenhar Novos Mapas de Esperança’ e inspirado na carta apostólica homónima publicada por Leão XIV em outubro de 2025, o encontro abordou desde quinta-feira os temas da interioridade, da digitalização e da paz, incluindo no programa a conferência ‘Educar para a paz’, com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa.
Na intervenção, o antigo chefe de Estado português avisou que “é urgente educar para a paz num momento em que se nega o direito internacional”.
Perante cerca de 1200 participantes de mais de 60 países reunidos no Auditório Paulo VI, Rebelo de Sousa rejeitou o pragmatismo estatístico da corrente anglo-saxónica do altruísmo eficaz, contrapôs a construção de pontes de diálogo à intolerância de quem exclui a diferença e observou que “difícil é amar cada pessoa de carne e osso” no sofrimento quotidiano.
Na abertura dos trabalhos do congresso, esta quinta-feira, D. José Tolentino Mendonça prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação desafiou os agentes pastorais a reconhecerem o valor de cada estudante onde o mundo vê apenas fragilidade, fracasso ou exclusão, noticia o portal ‘Educris’.
“A beleza humana e cristã não é uma perfeição idealizada: é um amor que não foge perante a dor do ser”, declarou o cardeal português, inspirando-se na escultura ‘A Ressurreição’, de Pericle Fazzini, instalada na grade sala de audiências do Vaticano.
O responsável do organismo organizador definiu os educadores como “guardiões da beleza da pessoa humana, que é uma obra de arte de Deus, única e irrepetível”, advertindo que a identidade individual jamais pode ser reduzida “a um algoritmo ou a um perfil estatístico”.
Entre os participantes portugueses encontra-se o diretor do Colégio de São Miguel, em Fátima, Manuel Lourenço, que em declarações ao portal ‘Educris’ pediu apoio das escolas católicas às famílias fragilizadas e sublinhou que “o humano tem de estar acima da inteligência artificial, sempre”.
O diretor do Colégio de São Miguel considerou que as escolas católicas em Portugal dispõem de uma “tradição de educação integral, centrada na pessoa e na evangelização”, mas alertou para o risco de a “procura de modernidade se sobrepor à identidade educativa”.
OC
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