Bispo de Setúbal fala em «escolha consciente a favor do diálogo, da abertura ao outro»

Setúbal, 15 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal publicou hoje uma carta dirigida a pais e educadores a apelar à inscrição dos alunos na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), alertando para o impacto dos conflitos globais e das novas tecnologias.
“Inscrevam os vossos filhos e educandos na disciplina de EMRC. Não como um gesto identitário, mas como uma escolha consciente a favor do diálogo, da abertura ao outro, da formação integral e da construção de um futuro mais humano para todos, todos, todos”, sustenta D. Américo Aguiar.
O cardeal português justifica a necessidade da inscrição na disciplina de EMRC, considerando que esta “ganha ainda maior urgência num momento em que o mundo atravessa perturbações profundas”.
“Conflitos bélicos que se alastram, crises económicas e sociais que fragilizam milhões, tensões culturais que polarizam comunidades e um clima global de incerteza que desafia a nossa capacidade de educar para a esperança”, elenca.
O bispo de Setúbal adverte para os perigos associados ao desenvolvimento da Inteligência Artificial e à proliferação de bolhas nas plataformas digitais, apresentando a escola como um espaço de construção de liberdade.
Num mundo onde crescem fenómenos de fechamento identitário, tribalismos digitais e relações de “mesmidade”, que impedem o encontro com o outro, a EMRC é um espaço de diálogo plural que forma para a convivência, a empatia e a fraternidade. É uma disciplina que acolhe a diversidade e a transforma em ponte, não em muro. É um lugar de escuta, não de exclusão.”
O documento episcopal assinala que as aulas de EMRC preparam os mais novos para lidarem com a desinformação e com as questões éticas levantadas pela tecnologia e pelos algoritmos.
“Aqui também a EMRC desempenha um papel fundamental: ajuda os alunos a olhar a tecnologia com humanismo, a discernir o verdadeiro do falso, a cultivar consciência ética e a compreender que nenhuma máquina substitui a profundidade da relação humana, da interioridade e da responsabilidade moral”, refere D. Américo Aguiar.
O bispo sadino evoca o magistério dos Papas Francisco e Leão XIV para frisar que a oferta educativa confessional se dirige a estudantes de todas as origens e convicções.
A EMRC, integrada no currículo com o mesmo rigor das restantes disciplinas, oferece às crianças e jovens um espaço único para pensar o sentido da vida, compreender o lugar das religiões e das culturas na sociedade, dialogar com a diferença e crescer numa visão humanista inspirada pela mundividência cristã.”
A mensagem de D. Américo Aguiar termina com um pedido direto às famílias para a matrícula no próximo ano letivo, sublinhando que a frequência da disciplina é aberta a “crentes, não crentes, pessoas em busca, indiferentes ou de outras tradições religiosas”.
OC
