Arcebispo de Braga escreveu carta aos diocesanos no âmbito da caminhada sinodal

Arquidiocese de Braga

Braga, 23 out 2021 (Ecclesia) – D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, escreveu carta aos diocesanos no âmbito da caminhada sinodal para “acompanhar a reflexão a fazer a diversos níveis” e apontou um novo verbo: “unidar”.

“Porque a unidade nem significa “unir” (simples juntar de elementos diversos), nem “unificar” (pegar em elementos diferentes para se construir uma única forma), mas é precisamente um aproximar de elementos diversos entre si e a procura de um elemento comum que os una sem renunciar à sua identidade particular. Em suma, “unidar” é mais que a simples união ou conformidade: é um congregar as diferenças para se construir a comunhão. A comunhão procede da unidade, e não o contrário”, pede D. Jorge Ortiga na sua carta.

O arcebispo de Braga escreveu esta carta para lembrar que o sínodo “terá que ser uma aventura” de “partilha refletida” e espera que os seus “apontamentos” possam ajudar à reflexão.

Na carta são apontadas cinco “tendências” que a Arquidiocese tentou cultivar ao longo dos últimos 22 anos, começando por referir-se a “uma Igreja menos clerical e mais laical”.

“Fomos construindo uma Igreja que não caísse no erro de, em nome dos leigos, dispensasse os seus presbíteros, ou que em nome dos presbíteros ofuscasse o papel dos leigos, mas uma Igreja que potencia os dons e carismas destas duas formas sacerdotais: sacerdócio comum e ministerial”, afirma.

O modelo seguinte é o de “uma Igreja menos territorial e mais comunidade”, que não fosse concebida como “uma sociedade fechada, mas como uma autêntica comunidade”, na qual “a mulher assumirá progressivamente um papel mais central e decisivo na vida da Igreja”.

D. Jorge Ortiga fala também de “uma Igreja menos pastoral e mais espiritual”, com a necessidade de recuperação da espiritualidade “de base” e recuperação da “centralidade da eucaristia”.

O Arcebispo refere ainda uma “Igreja menos burocrática e mais caritativa”, já que a burocracia, apesar de necessária, é um elemento “secundário” e destaca o “maior desafio da igreja milenar de Braga, aceitar uma nova forma de cristianismo”.

“Ao longo destes anos fomos tomando consciência que a Igreja deverá saber interpretar um novo princípio da evangelização: mais do que impor a nossa fé à sociedade, queremos contagiar a sociedade com a nossa fé. Daí que no, nosso tempo e no futuro, acredito que ter-se-á obrigatoriamente de dialogar e incorporar os novos destinatários da evangelização: os não-crentes e os crentes de outras profissões religiosas, exigindo-nos uma grande capacidade ecuménica, inter-religiosa e cultural”, afirma.

SN

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