Entrega da distinção ocorreu durante Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, em Fátima

Fátima, 01 jun 2019 (Ecclesia) – O historiador José Mattoso recebeu hoje em Fátima o Prémio Árvore da Vida/Padre Manuel Antunes 2019, da Igreja Católica, pela sua reflexão sobre a espiritualidade cristã e ação cívico-cultural.

Após receber o prémio, o investigador assinalou que, nos séculos séculos XIX e XX, a Igreja Católica em Portugal se refugiou “à sombra do poder constituído” – “enfraquecida pela perda dos seus bens e pela debilidade do seu pensamento racional, perdeu o sentido da criatividade cultural” – mas, hoje, pela reflexão teológica, à crítica exegética e ao verdadeiro conhecimento do passado, “recuperou o seu lugar no mundo da ciência e da razão”.

“A história crítica da Igreja ajuda-a a reconhecer os seus erros, a explicar as suas decisões, a interpretar indícios significativos da sua ação, a descobrir afinidades com correntes alheias, a reconstituir estruturas globais, a descobrir novidades inesperadas”, desenvolveu.

José Mattoso sublinhou o facto de o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) da Conferência Episcopal Portuguesa ter escolhido o Padre Manuel Antunes (1918-1985), jesuíta, “como modelo da conciliação da fé com a cultura”, para o Prémio Árvore da Vida.

“Foi uma das personalidades que em Portugal mais contribuíram para dissipar a agressividade anticlerical, e restituir à Igreja um lugar importante na promoção da cultura”, destacou o homenageado, salientando que a obra do professor universitário e ensaísta “permanece ainda hoje como um marco fundamental na história da cultura portuguesa”.

O premiado mostrou-se “muito honrado” e convidou o SNPC a “incentivar a atual renovação da historiografia eclesiástica” em Portugal.

“A fé opunha-se à ciência, à razão e à cultura. Hoje o diálogo tornou-se pacífico, e a crença é, para muitos, fonte verdadeira de inspiração cultural”, acrescentou José Mattoso.

“Creio que só um pluralismo de raiz evangélica, fruto da Palavra única de Jesus Cristo, pode conciliar a imensidade e a multiplicidade das suas incarnações, no tempo e no espaço, com a unidade de Deus Pai, uno e trino, Senhor do Céu e da Terra”, concluiu.

O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura destacou a “vocação e missão” de José Mattoso na sua obra, depois de ler a ata da atribuição do prémio.

“Pessoa singular perante as diferentes conjunturas, uma consciência livre enquadrada em princípios”, disse o professor José Carlos Pereira.

O prémio foi entregue na 15.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura que debateu, ao longo do dia, o tema ‘A Mulher na Sociedade e na Igreja’, em Fátima.

Antes do discurso oficial, o historiador José Mattoso manifestou “grande curiosidade” em ler as atas do encontro, uma vez que, também tratou “do papel da mulher na Idade Média, e épocas anteriores”.

CB/OC

Nas edições anteriores o Prémio galardoou o poeta Fernando Echevarría; o cientista Luís Archer S.J.; o cineasta Manoel de Oliveira; a classicista Maria Helena da Rocha Pereira; o político e intelectual Adriano Moreira; o trabalho de diálogo entre Evangelho e Cultura levado a cabo pela Diocese de Beja; o compositor Eurico Carrapatoso; o arquiteto Nuno Teotónio Pereira; o pedagogo e ex-ministro Roberto Carneiro; o jornalista Francisco Sarsfield Cabral; a artista plástica Lourdes Castro; o professor de Medicina e Bioética Walter Osswald; o encenador e ator Luís Miguel Cintra; e o ator Ruy de Carvalho.

 

A História só pode ser «luz» para a humanidade se for contada sem «apologética» – José Mattoso (c/vídeo)

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