Presidente da República evoca percurso de militância católica de um «amigo»

Foto: D.R.

Lisboa, 29 jul 2021 (Ecclesia) – O poeta e tradutor português Pedro Tamen faleceu hoje, aos 86 anos de idade, em Setúbal.

Numa mensagem de condolências, o presidente da República Portuguesa evocou uma “figura atívissa” da “vida cultural e cívica” do país, durante mais de meio século.

“Como militante de grupos católicos de orientação conciliar, como cineclubista, como crítico literário, como diretor e colaborador de jornais e revistas (entre as quais «O Tempo e O Modo»), como editor na Moraes e responsável da fundamental coleção Círculo de Poesia, como membro do Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian, como dirigente de associações de escritores, e claro, como tradutor e poeta”, escreve Marcelo Rebelo de Sousa.

“À sua poesia, de temática cristã no início, e depois progressivamente surrealizante, lúdica, hermética, sempre inventiva, tão depressa erudita como ligada ao quotidiano, ao amor, à artes plásticas, foram atribuídas diversas distinções que o consagraram como um autor singularíssimo, respeitado e admirado pela crítica e pelos seus pares”, acrescenta o chefe de Estado, ao recordar um “amigo”.

Tamen foi um dos subscritores do manifesto dos ‘101 católicos contra a política colonial da ditadura’, publicado a 4 de outubro de 1965

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) publica um texto de homenagem ao falecido poeta, evocando o seu papel na revista ‘O tempo e o modo’ e a participação como sócio de António Alçada Baptista na transformação da Livraria Moraes “num centro de renovação política e religiosa”, numa equipa composta por João Bénard da Costa, Nuno Bragança, Luís de Sousa Costa, Helena e Alberto Vaz da Silva.

O SNPC publica ainda excertos da intervenção de Pedro Tamen em novembro de 2010, no contexto do ciclo de conferências organizado pelas Monjas Dominicanas do Mosteiro do Lumiar, em Lisboa, dedicado ao tema ‘Na fronteira de Deus e do mundo’.

“A minha aproximação ao catolicismo passou diversas fases, sem que se possa dizer que o que escrevi deixou de ser religioso. Toda a poesia verdadeira é religiosa”, disse.

O Centro Natural da Cultura (CNC) sublinha que, em 1957, Tamen foi chefe de redação de ‘Encontro’, “influente órgão da Juventude Universitária Católica (JUC)”, tendo sido um dos fundadores do cineclube ‘Centro Cultural de Cinema (

“Membro muito relevante do Centro Nacional de Cultura, em Pedro Tamen encontramos um poeta com grande maturidade artística, com excecional domínio da língua e uma vocação temática universalista, sendo hoje um símbolo vivo da grande qualidade da poesia contemporânea”, realça a instituição.

OC

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