Diretor do Departamento para o Acolhimento de Peregrinos fala de busca de sentido para quem vive num contexto em que «o humano não se consegue expressar»

Fátima, 09 mai 2019 (Ecclesia) – O diretor do Departamento para o Acolhimento de Peregrinos no Santuário de Fátima disse à Agência ECCLESIA que o aumento da presença asiática na Cova da Iria mostra que a proposta ali apresentada é “sempre atual”.

“Fátima será sempre atual para quem viva num contexto em que o humano não se consiga expressar. Fátima vem mesmo dizer isto, se nós abrirmos a Deus encontraremos o cuidado do outro e todo aquele regime ou sistema político, social, económico e cultural que, por sistema, negue Deus e rejeite o cuidado do outro é um sistema falível, antes de mais, e que conduzirá o humano à sua autodestruição”, referiu Pedro Valinho.

A peregrinação internacional aniversário do 13 de maio vai ser presidida, este ano, pelo arcebispo de Manila (Filipinas), cardeal Luis Antonio Tagle, num sinal de atenção à Ásia.

O responsável pelo departamento de acolhimento admite “alguma surpresa” pelo aumento de grupos vindos de países africanos e asiáticos, em particular.

“Da Ásia há um grande crescimento do grupo de peregrinos, parece ser um reflexo do quão Fátima fala numa linguagem simples, que chega a todas as expressões e a todos os continentes, as pessoas sentem-se movidas por uma mensagem e querem fazer-se presentes neste santuário”, relata.

Nos primeiros quatro meses deste ano, o Santuário acolheu 60 grupos de peregrinos asiáticos que se fizeram anunciar nas celebrações do programa oficial, vindos, sobretudo, da Coreia do Sul, Filipinas e Sri Lanka, país em que as comunidades cristãs foram alvos de atentados terroristas, na última Páscoa.

“Fátima entra no imaginário dos peregrinos como sinal de esperança para quem vive situações de opressão, de dificuldade, em que a sua fé não pode ser expressada de forma simples; tal como foi noutros tempos e contextos políticos, Fátima é sinal de esperança”, realça Pedro Valinho.

O entrevistado fala no esforço que tem sido feito na gestão das peregrinações com grupos de proveniências e línguas asiáticas, considerando que “Fátima é um santuário para o mundo todo, santuário do mundo.

“Olhando a esplanada no 13 de maio, percebe-se que o mundo se concentra em Fátima”, sustenta.

Em outubro, será a vez de um responsável sul-coreano presidir à peregrinação internacional, na Cova da Iria.

“Trazer os presidentes das grandes celebrações deste ano do nosso horizonte mais longínquo é falar universalidade do que Fátima tem para oferecer”, explica o diretor do Departamento para o Acolhimento de Peregrinos.

A instituição lançou uma nova edição do seu “guia” para peregrinos, no qual se destacam as propostas que visam “fazer peregrinação no Santuário de Fátima”.

Pedro Valinho identifica uma evolução no perfil do peregrino de Fátima, em particular na peregrinação a pé, “como busca interior” de uma “experiência espiritual profunda”.

O objetivo do Santuário é chegar a todas as pessoas e que mesmo quem entre como visitante, “saia como peregrino”.

“A peregrinação, às vezes, parte do santuário, também lugar de partida para peregrinações interiores; creio que estes gestos são de tal forma proféticos que nos desafiam a procurar aquilo que não sabemos que andamos à procura”.

Há ainda uma maior procura dos peregrinos nos locais ligados aos Pastorinhos, em Aljustrel e nos Valinhos, espaços de “oração” e “recolhimento”.

A peregrinação do 13 de maio, com a sua marca particular de atenção à Ásia, vai estar no centro da emissão do programa ECCLESIA deste domingo (06h00), na Antena 1 da rádio pública.

HM/SN/OC

Fátima, «Santuário do mundo e para o mundo todo»

 

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