Carmelitas: Congresso sobre São João da Cruz quer aprofundar estudos do místico espanhol e traduzi-los para os tempos de hoje

Padre Joaquim Teixeira apresenta iniciativa que se realiza nos 300 anos da canonização e no centenário da declaração como doutor da Igreja

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 17 jun 2026 (Ecclesia) – O padre Joaquim Teixeira, da Ordem dos Carmelitas Descalços, afirmou à Agência ECCLESIA que o I Congresso sobre São João da Cruz, que se realiza de 19 a 21 de junho, em Fátima, vai procurar explorar a obra deixada pelo santo e mostrar a sua atualidade.

“Há muito o que aprofundar na vida e nos escritos deste santo. E, portanto, nós agora propusemos, entre outras atividades, realizar um congresso dedicado a São João da Cruz, para aprofundarmos um pouco mais os estudos e também traduzi-los para os nossos tempos”, referiu o sacerdote.

A iniciativa surge no ano em que se celebram os 300 anos da canonização e o centenário da declaração como doutor da Igreja deste poeta e místico do século XVI.

O padre Joaquim Teixeira destaca que este é um “ano intenso” para a Ordem dos Carmelitas Descalços e para toda a Igreja, “que se alegra com o exemplo” e com o “legado” que São João da Cruz deixou, sobretudo a dimensão espiritual, mística, mas “também a beleza literária dos seus escritos” e “a poesia”.

“A nossa missão é reconhecer que a sua doutrina, os seus escritos, falam muito à Igreja e ao mundo de hoje, porque quando um autor espiritual toca as dimensões da arte, da beleza, da bondade, da busca da verdade, está a falar de temas que são transversais a todo o ser humano”, indicou.

O sacerdote assinala que todo o ser humano aprecia a dimensão estética e tem um desejo de verdade e aponta o fundador da Ordem dos Padres Carmelitas Descalços como um “ótimo aliado” nessa busca.

“Mais do que nos dar respostas imediatas, João da Cruz põe-nos a fazer caminho. Ele é o homem da subida, do Monte Carmelo, é o homem das noites escuras, é o homem que nos põe a peregrinar na vida, seja nos momentos de alegria, seja nos momentos de maior prova, maior dificuldade, mas ensina-nos a saber passar pela vida com sabedoria, coração no alto, mas também com um grande realismo”, referiu.

Além de um “grande doutor em termos teológicos”, o padre Joaquim Teixeira lembra o poeta como “um homem muito realista”, que “ensina a viver o quotidiano e a trabalhar o pormenor”.

Na visita a Espanha, o Papa Leão XIV evocou João da Cruz, cuja mística é de “olhos abertos”, isto é, “não alheia à história, conduzindo, pelo contrário, à raiz das questões, ao coração da realidade”, lembrando o tema da noite, “muito caro” ao doutor da Igreja.

“O conceito de noite escura é um conceito eminentemente espiritual, ou seja, tem a ver com o processo de purificação que entra a pessoa que se predispõe para que Deus realize nela a sua obra. Quando a pessoa se predispõe, Deus introdu-la na noite escura”, explicou o padre Joaquim Teixeira.

“O que é noite escura? Noite escura é o próprio Deus, na vida do ser humano, que tem tanta luz que para nós aparece sob a forma de escuridão. Portanto, a noite escura é um lugar da esperança. Para nós, noite escura não é um desastre, não é o pessimismo”, desenvolveu.

O momento conturbado que a sociedade enfrenta, marcado pela violência, polarizações e guerras, o sacerdote ressalta que João da Cruz aparece para encorajar a caminhar com realismo e a fazer tudo o que está ao alcance de cada um para apresentar “uma alternativa que seja de conciliação” e de “moderação”.

“O místico é um homem de pontes. Como ele vive desde dimensões mais profundas e transversais a todo o ser humano, então ele facilmente faz pontes entre religiões, entre espiritualidades, entre culturas, porque ele leva-nos ao denominador comum de toda a humanidade”, disse.

Apesar do que se possa pensar, o padre Joaquim Teixeira lembra que a mística “não é uma coisa à parte”, não é só para quem se refugia nos conventos, mas “é muito real” e “transformadora”.

“Quem lê João da Cruz encontra ali motivações para intervir na história, para não cruzar os braços diante desta visão às vezes um pouco mais pessimista, que também às vezes em Igreja tendemos a descrever e a pintar com cores muito pessimistas”, enfatizou.

Segundo o sacerdote, as obras do místico “deixam marca”, “criam impacto” e “provocam mudança”.

Organizado pela Ordem dos Carmelitas Descalços, o I Congresso sobre São João da Cruz vai realizar-se na Domus Carmeli e as inscrições podem ser feitas através de um formulário disponível online.

OC/LJ

Fátima: Carmelitas organizam congresso sobre São João da Cruz

Partilhar:
Scroll to Top