Bispos falam em processo de «grande sensibilidade, que exige respeito absoluto pelas vítimas»

Lisboa, 20 mar 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) começou a contactar quem apresentou pedidos de compensação financeira por abusos sexuais no contexto da Igreja Católica.
“Este é um processo de grande sensibilidade, que exige respeito absoluto pelas vítimas. Todas as pessoas que apresentaram pedido serão notificadas da decisão”, assinalou o Gabinete de Comunicação da CEP, em nota enviada à Agência ECCLESIA.
A Conferência Episcopal recebeu, até final de 2025, 95 pedidos de compensação financeira por parte de vítimas de abuso sexual.
O organismo confirma os contactos iniciais, noticiados hoje, nalgumas situações de “não elegibilidade”.
“Numa lógica de proximidade e humanização, têm vindo a ser feitos contactos telefónicos prévios para escutar e acolher as vítimas”, refere a nota.
Neste momento, a CEP “não entrará em pormenores adicionais, tendo em conta a confidencialidade do processo e a privacidade das pessoas envolvidas”.
Estes contactos prévios vão ser seguidos pelo envio da notificação com o fundamento das decisões.
A Conferência Episcopal Portuguesa instituiu um mecanismo de compensação financeira para vítimas de abusos sexuais, cujo processo de reparação exigiu a apresentação de um requerimento formal para posterior análise por uma comissão de avaliação independente.
A 10 de março, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) anunciou que o processo de atribuição de compensações financeiras a vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica entrou na fase “final”, com aprovação dos montantes a atribuir.
“Sabemos que nenhuma compensação apaga a dor vivida, mas este passo expressa o compromisso que sempre assumimos de reconhecer o sofrimento causado e que pretende contribuir para a reparação possível de quem sofreu tão duras vivências, colocando as vítimas no centro da nossa prioridade”, referia um comunicado enviado à Agência ECCLESIA, após reunião do Conselho Permanente da CEP, que decorreu em Fátima.
Os bispos definiram os montantes a atribuir aos pedidos analisados, numa Assembleia Plenária extraordinária realizada a 27 de fevereiro, com base nos pareceres da Comissão de Fixação da Compensação.
Desde janeiro de 2021, a Igreja Católica em Portugal tem novas diretrizes para a “proteção de menores e adultos vulneráveis”, sublinhando uma atitude de vigilância nas várias atividades pastorais e de colaboração com as autoridades.
Durante o ano de 2022, a CEP pediu um estudo sobre casos de abuso sexual na Igreja em Portugal nos últimos 70 anos a uma Comissão Independente, que validou 512 testemunhos relativos a situações de abuso, que seria apresentado em fevereiro de 2023.
A 22 de maio de 2023, a Conferência Episcopal Portuguesa criou o Grupo Vita para acolher denúncias de abuso, trabalhar na prevenção e acompanhar vítimas e agressores.
OC
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