Iniciativa marcada para 4 e 5 de maio

Guimarães, 25 abr 2019 (Ecclesia) – A Paróquia de Santa Cristina de Cerzedelo (Guimarães), na Arquidiocese de Braga, vai viver a festa das ‘Cruzes Floridas’, com 16 cruzes familiares, cada uma com dois metros de altura, nos dias 4 e 5 de maio.

“É uma festa que acontece em tempo pascal com todos os traços de uma festa familiar. A cruz está povoada de gente, desde o sábado que é o tempo da ornamentação, depois o domingo de manhã com a procissão eucarística e a tarde com a celebração da Via Lucis e a bênção das famílias”, contou Conceição Silva à Agência ECCLESIA.

A leiga da Paróquia de Santa Cristina de Cerzedelo explica que todas as cruzes são de madeira, têm dois metros de altura, “não há duas cruzes iguais” e “são ornamentadas pétala a pétala”, que são tiradas de flores e espetadas na cruz, ou com “flores em miniatura”.

Cada uma das 16 cruzes tem um conjunto de mordomas, entre 8 a 10 mulheres, e “a tradição” é que ofereçam as flores, algo que “continua a manter-se” mas as famílias também fazem “sempre por ter algumas em casa”.

“A tradição é mesmo trabalho feminino, esta particularidade da nossa sensibilidade de mãe, da mulher ter toque especial”, salienta Conceição Silva, adiantando que uma ou outra família está a “introduzir o elemento masculino, sem problema, que não quebra nada” da tradição.

O sábado da festa das Cruzes Floridas de Cerzedelo, este ano dia 4 de maio, é dedicado ao “asseio das cruzes”, à ornamentação na casa das famílias, que no caso da entrevistada “agora, é na igreja românica” e “está aberto para o público ver”.

Na madrugada para domingo constroem tapetes de flores e de serrim tingido, com “cerca de sete quilómetros”, para de manhã passar a procissão eucarística ao encontro dos doentes.

A tarde de domingo inclui a ‘Via Lucis’, um percurso pelas 16 cruzes familiares, desde o largo da igreja até à capela do Senhor do Calvário, que este ano vai ser presidida pelo padre Joaquim Domingos.

“O símbolo da festa é a alegria da ressurreição do Senhor. A cruz florida é o símbolo que o ressuscitado não ficou na cruz, está vivo, é a alegria pascal que queremos transmitir fazendo uma leitura das aparições do ressuscitado nos vários relatos dos Evangelhos e como transformou a vida dessas pessoas, como hoje podemos fazer a experiência de Cristo ressuscitado, vivo, presente, atuante na Igreja, e na vida de cada um de nós”, desenvolveu o missionário do Verbo Divino.

O sacerdote sublinha que “um dos aspetos importantes” é “transmitir o núcleo central da fé”, “que o Cristo está vivo” e como diz o Papa Francisco está presente, “apesar das dificuldades do dia-a-dia, apesar de um certo pessimismo que vemos na sociedade e também na Igreja”.

Para o padre Joaquim Domingos “um dos aspetos importantes” desta festa é a transmissão da fé “não tanto por conteúdos, mas fazendo” no ambiente de preparação das cruzes onde “todos da família estão envolvidos, os vizinhos ajudar”.

“A dimensão comunitária reforça os laços da comunidade e dos membros da família em si”, salientou em declarações à Agência ECCLESIA.

Conceição Silva – que na paróquia de Cerzedelo está é catequista, colabora com os jovens e acólitos, e profissionalmente está numa IPSS, com um jardim-de-infância e ATL – refere que é “um trabalho constante” envolver os jovens nas festas das Cruzes Floridas, um desafio que “se torna maior à medida que os anos passam”.

A leiga da Paróquia de Santa Cristina de Cerzedelo contextualiza que a sua família tem uma das 16 cruzes desde 1975, “uma herança familiar” que continua na casa materna, por isso, no dia da festa vão estar todos juntos.

A cruz tem o sentido que somos uma família cristã. Uma herança dos nossos pais, dos valores, da educação, de nos encontrarmos à volta da mesma mesa”, acrescentou sobre “a festa familiar em tempo pascal”.

Até ao domingo de Cruzes está também patente partes da exposição ‘As Cruzes floridas da missão’ em dois espaços públicos de Cerzedelo, lê-se na página da Festa das ‘Cruzes Floridas’ na rede social Facebook.

CB/OC

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