Na diocese da Guarda, as festas e romarias religiosas continuam a movimentar multidões. Há lugares e invocações que perduram no tempo e não deixam ninguém indiferente. Que o digam as pessoas de Gouveia, de Manteigas e de Malhada Sorda (Almeida), na celebração do Senhor do Calvário, da Senhora da Graça e da Senhora da Ajuda, respetivamente.

Todos os anos, estas localidades recebem milhares de peregrinos que se associam às celebrações religiosas, em autênticos hinos de louvor, fé e devoção. Ninguém quer ficar de fora destas festas e romarias ancestrais que vão passando de geração em geração.

 

Manteigas – Senhora da Graça

A devoção do povo de Manteigas a Nossa Senhora da Graça parece existir desde sempre. A partir da Igreja de S. Pedro, o povo do coração da Serra da Estrela, leva a imagem em procissão, em grande manifestação pública de fé.

A Festa de Nossa Senhora da Graça destaca-se como uma das grandes festas religiosas da Serra da Estrela e acontece sempre no dia 8 de Setembro, o dia em que se comemora o nascimento da Virgem Maria.
É um dos pontos altos da vida da vila que atrai os filhos da terra dispersos pelo País e até mesmo na diáspora.

A festa de Nossa Senhora da Graça, que começa a ser preparada muitos meses antes, reúne um grande número de voluntários. A tradição é muito importante e os actos religiosos são o centro de um programa que também integra música e devoção popular, onde nunca falta a aclamação a Nossa Senhora da Graça. Na procissão da noite, um mar de luz, ilumina as ruas de Manteigas que se enchem de gente que acompanha a imponente imagem da Nossa Senhora.

Gouveia – Senhor do Calvário

As Festas do Senhor do Calvário, na cidade de Gouveia, perdem-se no tempo, e acontecem na primeira quinzena do mês de agosto.

Diz a tradição que a exploração agrícola e da criação de gado ovino fizeram nascer entre o povo o culto ao Senhor do Calvário. A capela do Senhor do Calvário tornou-se, desde muito cedo, lugar de peregrinação para cumprimento de promessas.

Na escadaria de acesso ao recinto da Capela, existem outras duas capelas com imagens dos passos da Paixão de Jesus: a Agonia de Cristo no Horto e o Beijo de Judas.

Na Festa do Senhor do Calvário, Gouveia sai à rua numa procissão imponente a que se juntam devotos das aldeias vizinhas e outros de lugares mais distantes.

O andor com o Senhor do Calvário, sempre acompanhado da Senhora das Dores e de São João, percorre as principais ruas da cidade. A multidão caminha, sempre sem pressa, ao som da banda filarmónica.
Apelidada de Maior Romaria das Beiras, a Festa do Senhor do Calvário também integra um desfile etnográfico que é marcado pelos grupos folclóricos que participam no Festival Internacional de Folclore, em Gouveia.

A Maior Romaria das Beiras mantém a sua tradição com um programa que unifica o culto religioso, a tradição, a cultura, a música e a animação, num evento único para quem visita a cidade e num ponto de encontro e regresso às origens para todos os gouveenses.

Do programa do evento fazem parte um conjunto alargado de atividades paralelas e outras novidades, com destaque para a Feira de Atividades Económicas e Produtos Locais, a Mostra Associativa, a Mostra de gado ovino e caprino, a Festa do Livro, o Espaço Miniatura Automóvel ou os concertos das Bandas Filarmónicas

Em Gouveia, este ano, a Festa do Senhor do Calvário regressa, de 11 a 15 de agosto, ao seu formato tradicional, depois de dois anos de interrupção em resultado dos constrangimentos impostos pela pandemia.
À fé e devoção do povo ao Senhor do Calvário, juntam-se as farturas, o fogo-de-artifício, as exposições, os concertos, o folclore e as ruas decoradas a preceito.

 

Malhada Sorda (Almeida) – Senhora da Ajuda

O Santuário de Nossa Senhora da Ajuda localiza-se na freguesia de Malhada Sorda, no concelho de Almeida. A Festa principal, que congrega gente das terras da raia de Portugal e Espanha, acontece no dia 8 de setembro.

A Romaria ao Santuário de Nossa Senhora da Ajuda, entre as maiores da Diocese da Guarda, tem origens remotas. A este Santuário acorrem milhares de pessoas a pagar promessas e a fazer as suas preces todos os anos.

A primitiva ermida, anterior à actual capela, dizem ser muito antiga. Uma Bula original do Papa Urbano VIII, passada em 5 de fevereiro de 1629, concede indulgência plenária perpétua aos fiéis que visitassem a Senhora na Sua Capela no dia primeiro de Maio e outras indulgências parciais, nos dias da Assunção, Expectação, Visitação e Natividade da mesma Senhora.

Ainda nos tempos da ermida, nasceu o Convento dos Frades Descalços de Santo Agostinho, também chamado de Convento dos Frades de Santo Agostinho e de Convento de Nossa Senhora da Ajuda.
Para o povo de Malhada Sorda a imagem de Nossa Senhora da Ajuda é uma das mais belas que se conhecem. Com o menino ao colo, inspira bondade, carinho, ternura, consolação, misericórdia, proteção e ajuda para todos que a invocam.

O Santuário de Nossa Senhora da Ajuda é um ponto importante de peregrinação, não só durante as festas, mas durante todo o ano. Ali acorrem devotos de muitos lugares, de Portugal e Espanha. O ponto forte da peregrinação acontece a 7 e 8 de setembro com a presença de milhares de pessoas, principalmente na Procissão de Velas, que liga a Capela à Igreja Paroquial. Esta Festa é caracterizada, essencialmente, pelas cerimónias religiosas com a noite inteiramente dedicada à oração e à adoração.

A Festa continua a ser uma grande manifestação de fé que atrai milhares de pessoas, muitas das quais fazem longas peregrinações a pé, que só terminam junto do andor de Nossa Senhora da Ajuda.

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Este artigo faz parte da Edição especial da Agência ECCLESIA “Festas da nossa Terra” publicada em agosto 2022

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