Professora e autora fala do exercício da escrita como forma de distanciamento das rotinas

Lisboa, 15 ago 2022 (Ecclesia) – Marta Arrais, autora, disse à Agência ECCLESIA que o tempo de férias “é para desligar” e “não levar o piloto automático”, onde a escrita pode ajudar ao distanciamento das rotinas.

“Nesta preparação para férias temos de conseguir desligar, perceber que vamos diferenciar esse tempo, para pensar em outras coisas, para apreciar outros momentos e não para continuar reféns desse ritmo alucinante que vamos vivendo, percebo que há um problema de todos que é viver em piloto automático”, indica a entrevistada à  Agência ECCLESIA.

A autora da obra “Guia para uma vida simples”, recentemente lançado, afirma que na “onda dos dias não há tempo para parar para ver como é” e que são necessárias “estratégias para parar”.

“Há o perigo de levar o piloto automático para férias”, alerta.

Marta Arrais, na entrevista do programa ECCLESIA na RTP 2, deixa ainda um convite para o tempo de férias: a escrita.

“Um convite a ter um diário ou um caderninho que nos acompanha e serve para registar o que vemos ou vivemos nas férias e distrair do ritmo que temos sempre presente, regressar à escrita pode ajudar a esse distanciamento”, refere.

Também no tempo de férias surge o perigo de “partilhar nas redes sociais o que se vai vendo ou fazendo”.

“Podemos tentar não colocar fotografias das férias e tentar viver esses momentos com as pessoas com quem estivermos, que é para não termos a obrigação de mostrar ao mundo o que estamos a fazer”, aponta.

Marta Arrais considera ainda o tempo de férias propício para “questões e reflexão”, onde os “cinco sentidos têm de estar despertos”.

“Questionar-me onde quero chegar ou atingir interiormente, para o meu desenvolvimento pessoal e não para mostrar aos outros ou para publicar”, explica.

A autora, que viveu o tempo de férias noutros anos em ações de voluntariado, partilha que é um “descanso diferente”.

“É um descanso diferente, estamos descansados das nossas tarefas mas encontramos tarefas que nos descansam o coração e nos dão alento que o trabalho não nos dá”, revela. 

A professora de inglês oIha ainda as novas gerações e, apesar de haver “miúdos com muitos projetos e muita vontade de sair do seu mundo”, há outros muito agarrados aos ecrãs.  

“As novas gerações talvez não saibam viver as férias, a maioria dedica-se aos joguinhos de vídeo, ao computador e telemóvel, mas já há preocupação dos pais e educadores em arranjar alternativas e que tentam educar para as férias, para o tempo essencial das coisas”, afirma. 

LS/SN

 

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