Bispo diocesano apontou o gesto do lava-pés como interpretação da Eucaristia

Guarda, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda afirmou que a instituição da Eucaristia durante a refeição em que Jesus lavou os pés aos apóstolos acentua a dimensão do serviço, sublinhando “a missa não é um ato privado”.
D. José Miguel Pereira repetiu, na homilia da Missa da Ceia do Senhor, que, na missa, “não está cada uma na sua oração individual”, mas a “deixar” que Jesus lave os pés, o que implica “pôr-se a lavar os pés”, não só na missa, “mas também depois”.
O bispo da Guarda disse que hoje é necessário lavar os pés “pondo-se a servir os mais frágeis e os deslocados de guerra, os pequeninos e os descartados, os esquecidos e os excluídos, os migrantes e os que habitam as periferias sociais”.
“Não só ali na missa, mas também depois. Pondo-se a servir os errantes e os buscadores, os desiludidos e os magoados, os indiferentes e os descrentes, os que se afastaram e os que habitam as periferias eclesiais”, acrescentou.
“Não só ali na missa, mas também depois. Pondo-se a servir as famílias e as comunidades, a sociedade e a Igreja, os grupos de fé e a Diocese, a comunhão e a evangelização”.
D. José Pereira lembrou que “a missa prolonga-se na missão” e alertou para a dimensão do serviço que emerge da participação na Eucaristia, mais do que o ambiente físico e comunitário “agradável” ou se a apresentação da Palavra de Deus “enche as medidas”, ou possibilidade ou não de comungar.
“Jesus não aponta para nenhuma destas dimensões. Ele acentua a Eucaristia como um serviço, que Ele nos faz, e pelo qual nos permite tomar parte com Ele, entrar na abundância do mistério da sua vida e da sua pessoa”, afirmou.
“Mesmo quando por alguma razão não sou capaz de entender o que se está a passar ou não posso participar plenamente em alguma das outras dimensões. Deixar que Jesus me lave os pés é sempre possível. E isso é que me faz tomar parte com Ele”.
O bispo da Guarda disse que o lava-pés é “o serviço” pelo qual Jesus devolve a cada pessoa a “possibilidade de caminhar, por Ele, até ao Pai”.
“Jesus oferece a eucaristia, não aos sãos e puros, mas aos doentes e pecadores que queiram aceitar a sua iniciativa para que tomem parte com Ele”, indicou, acrescentando que “a eucaristia não se reduz ao rito da comunhão”.
D. José Miguel Pereira lembrou também que a Missa da Ceia do Senhor celebra também a instituição do sacerdócio ministerial, que “realiza para a Igreja e para o mundo, de forma incruenta e sacramental, o sacrifício cruento do Calvário”
Com a Missa da Ceia do Senhor, a Igreja Católica inicia a celebração do Tríduo Pascal, memória da Paixão, morte e ressurreição de Cristo.
PR
