Padre Romanelli lamentou decisão israelita de encerrar todas as passagens de acesso ao território palestino

Cidade do Vaticano, 03 mar 2026 (Ecclesia) – O pároco da comunidade latina em Gaza alertou para o impacto da proibição de entrada de organizações não governamentais (ONG) no território, classificando a atual situação humanitária da população civil como “trágica”.
“A ajuda humanitária chega, mas não é suficiente, e mesmo que os grandes bombardeamentos tenham cessado, a assistência não é suficiente para cobrir as necessidades de todos”, explicou o padre Gabriel Romanelli, em declarações ao portal Vatican News.
O sacerdote reagiu à decisão de Israel de encerrar todas as passagens de acesso ao enclave palestino, no contexto do início de ataques militares conjuntos de Israel e Estados Unidos contra o Irão, resultando na reposição de um cerco total.
Nos mercados locais, o responsável católico relata o reaparecimento de alguns produtos, como fruta, carne e queijo, que tinham desaparecido durante os meses mais duros do conflito.
“Mas os preços são muito elevados e a maioria da população nem sequer tem condições para pagar”, lamentou.
A crise humanitária é agravada pela ausência generalizada de rendimentos entre os civis.
“A maioria das pessoas perdeu tudo: a casa, o emprego, o salário”, observou o padre Gabriel Romanelli.
A falta de serviços básicos estende-se ao fornecimento de energia elétrica e de água potável, cuja distribuição obriga a longas esperas.
“As pessoas têm de esperar, por vezes, uma, duas, três, quatro horas para obter cinco, dez, quinze litros de água potável”, descreveu o religioso.
A recente interdição da atuação e entrada de várias ONG no terreno gera uma forte apreensão quanto ao futuro imediato da assistência.
“Haverá um impacto em toda a sociedade e também na comunidade cristã”, advertiu o pároco, antecipando a suspensão de fornecimento de alimentos e água por parte de entidades internacionais.
Apesar de manterem uma esperança “cheia de fé em Deus”, os habitantes enfrentam um forte desgaste psicológico.
“As pessoas vivem uma grande depressão e tentam recomeçar”, partilhou o sacerdote.
A paróquia latina, a única em Gaza, mantém a sua escola em funcionamento, ainda que com números limitados, procurando ser um sinal de resistência no meio da crise.
O padre Gabriel Romanelli concluiu a sua intervenção com um apelo urgente à ação diplomática e humanitária.
“A comunidade internacional, como sempre, é chamada a permitir realmente a entrada de ajuda humanitária consistente. Será necessário não só para a reconstrução física, mas sobretudo para a reconstrução moral e existencial da vida das pessoas aqui. E isso contribuirá para a paz”, sustentou.
OC
