Instituição do Patriarcado de Lisboa lançou Programa «Multiplica» para financiar novos projetos de impacto social, desenhados pelas novas gerações
Lisboa, 26 out 2026 (Ecclesia) – A Fundação Jornada está a apoiar, capacitar e impulsionar projetos focados na juventude, jovens que sonham e atuam apesar das condições difíceis de vida, e abriu candidaturas ao Programa ‘Multiplica’ que tem um orçamento de 500 mil euros.
“Nós próprios sonhamos muito, e somos muito empreendedores com os próprios jovens, temos também muito essa meta no nosso trabalho, irmos sonhando com os jovens e sentimos que muitos dos nossos projetos partiram dessa base, ou seja, de jovens que, de facto, acreditam que podem fazer mais pela sociedade, que podem fazer algo maior, algo melhor”, disse o responsável financeiro e gestor de projeto da Fundação Jornada, esta segunda-feira, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Daniel Serra realça que “os jovens continuam a sonhar”, apesar das condições difíceis de vida que enfrentam, em relação à habitação, ao custo de vida, à dificuldade de terminar cursos e de conseguir encontrar um emprego digno, e salientou que o foco da Fundação Jornada “é muito o trabalho com a juventude em áreas sociais”, porque também existem jovens que, “se calhar, não têm tantas limitações e que têm este espírito de querer promover naqueles que têm menos condições ou que são mais desfavorecidos”.
“E, portanto, o sonho e o empreendedorismo jovem surge muito daí, de jovens que, se calhar, cresceram num ambiente onde conseguiram ter condições que lhes proporcionassem uma vida boa e de olharem para outras franjas da sociedade e querem fazer o mesmo com esses jovens”, explicou o entrevistado.
A gestora de projetos Inês Rocha e Melo acrescentou que os jovens “identificando tantos problemas, às vezes, é o motor” para chegarem-se à frente e quererem resolvê-los, nesse sentido, a visão da Fundação Jornada “é não querer resolver os problemas todos que afetam os jovens”, que são uma realidade infinita, mas como é que podem “incentivar os jovens a trabalharem a partir de dentro, a trabalharem os jovens à sua volta para saberem enfrentar todos estes desafios”, chegarem-se à frente e serem líderes na resolução dos desafios.
“Uma das coisas que fizemos foi mapear quais é que são estas temáticas centrais na vida dos jovens, também a partir da JMJ, houve um trabalho para a Via Sacra do levantamento de problemas a nível mundial que os jovens se reviam, e que eram temáticas que se queria trabalhar. E, a partir daí, como é que nós, enquanto Fundação, podemos ajudar, através dos jovens e com os jovens, a contribuir para resolver essas temáticas”, desenvolveu, sobre temas como a saúde mental, as dependências, o isolamento, a falta de emprego.
A Fundação Jornada, do Patriarcado de Lisboa, foi constituída a partir da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2023, e Inês Rocha e Melo recorda que “uma grande parte da organização” dessa edição internacional, realizada de 1 a 6 de agosto na capital portuguesa, foi feita por jovens, “que foi muito marcante e foi também quase uma prova dada à sociedade que podem contar com os jovens”.
No dia 22 de outubro, a Fundação Jornada abriu as candidaturas para financiar novos projetos de impacto social dirigidos a jovens dos 15 aos 35 anos, em diferentes áreas e com âmbito local, regional ou nacional, através do Programa ‘Multiplica’ que prevê o apoio global de 500 mil euros.
“O nosso objetivo é sempre distribuirmos cerca de 800 mil euros anuais, sendo que a nossa grande solução é este programa Multiplica, são os tais 500 mil euros. Em relação ao orçamento de cada projeto, quando fazem a candidatura, podem colocar o valor entre 10 e 30 mil euros, e vamos discutindo com o projeto o próprio orçamento e, eventualmente, existe um ajustamento, nós aprovamos ou não dependendo da nossa avaliação”, explicou Daniel Serra.
A Fundação Jornada, acrescenta o responsável financeiro e gestor de projeto, percebeu que existem algumas áreas que “são prioritárias”, que perceberam no programa ‘Jovens Agentes de Esperança’, a primeira “grande iniciativa” de apoio direto a projetos juvenis em Portugal lançada em 2025, em 500 mil para 20 projetos.
“Tudo o que são trabalhos com dependências, tudo o que é trabalho mais ligado à educação, mais ligado à participação cívica, e ao jovem enquanto protagonista na sociedade, são áreas que para nós são core. Depois, houve uma área, por exemplo, que surgiu muito, que foi a ligação aqui às casas de acolhimento, e que valorizamos”, assinalou Daniel Serra, destacando que a Fundação Jornada está sediada na Fundação Maria Drosti, que é uma casa de acolhimento e, portanto, também temos essa ligação.
As candidaturas ao Programa ‘Multiplica’ podem ser realizadas até dia 3 de dezembro de 2026, através do formulário online disponível na página da Fundação Jornada na internet, onde se encontra também o regulamento; os resultados são comunicados a partir de 26 de abril de 2027.
“A partir de maio começa este tempo de acompanhamento, pode ser de um ano, um ano e meio, pode variar m bocadinho de projeto para projeto, de capacitação, de mentoria e de crescimento em conjunto”, explicou gestora de projetos Inês Rocha e Melo, no Programa ECCLESIA, transmitido, hoje, na RTP2.
A Fundação Jornada apoia 25 projetos centrados nos jovens em Portugal, de áreas diferentes (espiritualidade, educação, participação cívica, saúde mental), através dos “35 milhões de euros de excedentes” da JMJ Lisboa 2023.
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