Apóstolo foi invocado como protetor durante surto de peste, no século XVI

Funchal, Madeira, 01 mai 2019 (Ecclesia) – O bispo do Funchal presidiu hoje à Missa e procissão do “voto” a São Tiago Menor, um dos primeiros discípulos de Jesus, como agradecimento pela proteção à cidade, durante um surto de peste, no século XVI.

“As sucessivas epidemias de peste que assolaram a nossa cidade e toda a nossa ilha no início do séc XVI trouxeram à consciência dos nossos antepassados, em particular num certo dia 11 de junho de 1521, uma atitude essencial para se entenderem a si mesmos (e para nos entendermos a nós mesmos) como seres humanos: por nós, não somos capazes de nos salvar; em cada momento da nossa existência dependemos de Deus”, disse D. Nuno Brás, perante autoridades regionais, militares e representantes diocesanos.

No dia do padroeiro da diocese, o bispo do Funchal evocou as “tantas pestes” que continuam a existir.

“Pestes que são epidemias, doenças endémicas, e para as enfrentar necessitamos da força recebida de Deus. E outras tantas pestes, não menos graves (pelo contrário), que nos retiram o sentido da existência, que fecham os horizontes da nossa vida. Precisamos de Deus e dos seus amigos e nossos protetores”, assinalou.

As cerimónias contaram com a participação dos responsáveis da Câmara Municipal do Funchal, que cumpriu a tradição de renovação do Voto a São Tiago Menor, padroeiro da cidade, acompanhando a procissão que, este ano, partiu da Catedral e percorreu a Avenida do Mar e a Zona Velha da cidade, com chegada à igreja do Socorro, onde foi celebrada a Missa.

A homenagem remonta a 1521 e invoca a proteção do santo, aquando do ciclo de peste no Funchal que dizimou centenas de madeirenses, tendo as autoridades camarárias e religiosas de então entregue a guarda da saúde dos habitantes da cidade a São Tiago Menor.

Como “sinal de gratidão” fez-se a promessa de construir uma igreja em sua honra e fazer uma procissão que, denominada como o ‘Voto de São Tiago’, realizada no dia 1 de maio, a data em que a Igreja celebrava a festa litúrgica de São Tiago Menor.

Na sua homilia, D. Nuno Brás questionou os presentes o tipo de intervenção que Deus tem na história humana.

Um Deus que permanecesse indiferente, distante, frente ao destino das suas criaturas, não seria, decididamente, o Deus de amor com que nos deparamos ao contemplar a própria natureza e mesmo a própria vida humana, e que, espontaneamente, nos remetem, nos convidam a contemplar uma realidade maior. Deus não é indiferente à nossa existência. Não vive impassível num sereno olimpo, enquanto o ser humano sofre, luta, morre”.

O bispo do Funchal pediu, na sua homilia, a proteção e a força divinas para “construir uma sociedade onde todos possam progredir no sentido de uma vida sempre é cada vez mais humana.

“Tiago continue sempre a interceder, a cuidar de todos e cada um dos madeirenses e porto-santenses”, concluiu.

OC

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