Papa bateu recordes de deslocações em 2019

Cidade do Vaticano, 13 mar 2020 (Ecclesia) – O Papa assinala hoje o sétimo aniversário da sua eleição pontifícia, depois de um ano marcado por sete viagens internacionais, uma cimeira sobre a proteção de menores e um Sínodo especial dedicado à Amazónia.

A 17 de dezembro de 2019, Francisco decidiu abolir o segredo pontifício nos casos de violência sexual e de abuso de menores cometidos por clérigos, numa decisão considerada histórica.

O Papa exigiu ainda que todas as dioceses criem estruturas para receber denúncias de abusos sexuais, até ao próximo mês junho, na sequência da cimeira que convocou em fevereiro de 2019, reunindo no Vaticano os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo e responsáveis de Institutos Religiosos e da Cúria Romana, para debater medidas de proteção a menores na Igreja Católica.

Em fevereiro do último ano, o Papa e o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, assinaram nos Emirados Árabes Unidos a inédita “Declaração de Abu Dhabi”, que condena o terrorismo e a intolerância religiosa; a aproximação ao Islão continuou em Marrocos.

Francisco passou depois pela Bulgária e Macedónia do Norte, a terra natal de Madre Teresa de Calcutá, bem como pela Roménia, onde prestou homenagem aos católicos perseguidos durante o regime comunista.

Em 2019, o Papa regressou a África, para deixar mensagens em favor dos mais pobres e pela paz, numa viagem a Moçambique, Madagáscar e Maurícia.

A última visita internacional teve como destinos a Tailândia e o Japão, viagens marcadas por apelos contra as armas nucleares e a exploração das pessoas.

O ano tinha começado com a celebração da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Panamá; a JMJ 2019 abriu caminho para a primeira edição internacional acolhida por Portugal, que vai acontecer no verão de 2022, em Lisboa.

Ainda em 2019, o Papa presidiu a um consistório para a criação de cardeais, entre eles D. José Tolentino Mendonça, e foi celebrada a canonização de frei Bartolomeu dos Mártires, arcebispo português do século XVI.

O quarto Sínodo do atual pontificado, dedicado à região pan-amazónica, foi acompanhado por várias críticas à presença de símbolos indígenas e ao debate que decorreu no Vaticano, do qual saiu a proposta de ordenação sacerdotal de diáconos casados.

Em fevereiro, o Papa publicou a sua nova exortação apostólica, “Querida Amazónia”, na qual defende uma Igreja Católica ao lado dos mais pobres e da natureza, respeitando as culturas indígenas; o texto apela a uma maior presença de missionários neste território e a formas de liderança que envolvam leigos, religiosas e diáconos permanentes, sem abordar a possível ordenação sacerdotal de homens casados.

A possibilidade gerou uma polémica envolvendo o Papa emérito Bento XVI, que viu o seu nome ser anunciado como coautor do livro ‘Das profundezas dos nossos corações’, do cardeal Robert Sarah, no qual se rejeitam alterações à disciplina do celibato sacerdotal.

Outra polémica levou Francisco a pedir desculpas em público, após um desentendimento com uma peregrina que o puxou, inadvertidamente, na Praça de São Pedro, no último dia de 2019.

No Vaticano, prossegue o trabalho que visa reforma da Cúria Romana, com destaque para as várias medidas na administração económico-financeira da Santa Sé e do Estado: o jesuíta Juan Antonio Guerrero Alves assumiu a liderança da Secretaria para a Economia e Carmelo Barbagallo, dirigente do Banco da Itália, passou a presidir a Autoridade de Informação Financeira (AIF), no centro de um inquérito por alegada corrupção em operações imobiliárias; Francisco aprovou ainda os novos estatutos do ‘Banco do Vaticano’, o Instituto para as Obras de Religião, introduzindo auditoria externa.

“A humanidade é a chave com que ler a reforma. A humanidade chama, interpela e provoca, isto é, chama a sair e não temer a mudança”, declarou Francisco em dezembro de 2019, num longo discurso, perante os seus mais diretos colaboradores.

Já em fevereiro, Francisco visitou a a cidade italiana de Bari, encerrando um encontro dedicado às migrações e aos conflitos no Mediterrâneo, alertando para os discursos populistas que alimentam o “medo” entre as populações.

Simbolicamente, por ocasião do 105º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (stembro de 2019), o Papa abençoou no Vaticano uma escultura que retrata migrantes de todos os tempos, destinada à Praça de São Pedro, com o objetivo de lembrar o “desafio evangélico do acolhimento”.

O cardeal Jorge Mario Bergoglio foi eleito como sucessor de Bento XVI a 13 de março de 2013, após a renúncia do agora Papa emérito, assumindo o inédito nome de Francisco; é também o primeiro Papa jesuíta na história da Igreja.

OC

 

 

 

 

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