Encontro em Metz reúne representantes de várias comunidades de fé, apontando à construção de «pontes de esperança para toda a Europa»

Metz, França, 28 set 2026 (Ecclesia) – O Papa condenou hoje na França qualquer ato de violência com justificação religiosa, falando perante representantes de várias comunidades de fé.
“Invocar o nome de Deus para legitimar a violência ou a opressão configura uma profanação desse nome. Nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina”, declarou Leão XIV no Centro de Congressos Robert Schuman, em Metz, “cidade de fronteiras e de passagens”.
O pontífice chegou ao local acompanhado por alguns representantes de várias religiões, como o presidente da Federação Protestante de França, Christian Krieger, o grão-rabino Haïm Korsia, o reitor da Grande Mesquita de Paris, Chems-Eddine Hafiz e Anthony Boussemart, da União Budista.
“O discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras. Isto implica a responsabilidade direta de cada um de nós, enquanto guardiães das nossas respetivas tradições”, sustentou Leão XIV, após a proclamação do ‘Apelo de Metz’, um documento conjunto das várias confissões presentes.
O edifício que acolheu o encontro homenageia Robert Schuman (1866-1963), cidadão alemão nascido no Luxemburgo que se tornou francês em 1919, quando a região da Alsácia-Lorena, onde vivia, foi restituída à França; após a II Guerra Mundial, ocupou uma série de cargos de alto nível na França, tendo acabado por redigir a ‘Declaração Schuman’, com o intuito de unir a Europa e evitar novas guerras.
O Papa evocou a figura de “um dos pais fundadores” da União Europeia, com processo de beatificação em curso, recordando-o como um homem de fé que “soube transformar as antigas linhas de divisão em pontes de esperança para toda a Europa”.
“Seguindo o seu exemplo, a nossa responsabilidade comum de mulheres e homens religiosos é a de testemunhar que, para além das fronteiras, é sempre possível encontrar-nos, estabelecer amizades e construir a paz”, acrescentou.
Leão XIV sustentou que a prática do diálogo “não diminui” a própria identidade, mas “expressa-a com simplicidade e verdade”, citando o filósofo francês Paul Ricœur (1913-2005) para definir este encontro humano como o caminho onde a alteridade é reconhecida “como uma promessa e não como uma ameaça”.
A intervenção papal sublinhou que a grandeza de uma civilização se avalia “pela forma como acolhe, protege e eleva a pessoa humana”.
As religiões são guardiãs da vida; elas afirmam o seu valor sagrado. A sua fecundidade é demonstrada pela presença amorosa junto das pessoas mais frágeis e vulneráveis. Servir a vida é rodeá-la de cuidados, presença e ternura, sobretudo nas provações, até ao fim.”


O discurso assinalou ainda a missão de oferecer “pontos de referência sólidos”, especialmente à juventude, para edificar uma comunhão que “respeite e valorize a dignidade de toda a pessoa humana”.
A cidade de Metz, situada na região da Lorena, no nordeste da França e junto às fronteiras com Alemanha e Luxemburgo, é um território historicamente marcado pelas guerras europeias.
O programa papal neste último dia de viagem em solo gaulês inclui uma reflexão dedicada às raízes da Europa e a celebração eucarística na Catedral de Santo Estêvão, antecedendo o voo de regresso a Roma agendado para o final da tarde.
OC
