França: Leão XIV elogia reconstrução da Catedral de Notre-Dame, «centro vital de uma civilização»

Percurso em papamóvel nas ruas de Paris foi acompanhado por 300 mil pessoas

Foto: Vatican Media

Paris, 25 set 2026 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje à celebração de Vésperas na restaurada Catedral de Notre-Dame, em Paris, apelando a uma Igreja missionária e de portas abertas.

“A comunidade cristã não é um refúgio onde retirar-nos para nos protegermos do próprio tempo. Pelo contrário, ela oferece-se, à semelhança das antigas catedrais, como um espaço de acolhimento, respeito, revelação e sentido para todos”, declarou Leão XIV, na sua homilia dirigida a milhares de membros do clero e de institutos religiosos locais.

O Papa falou da catedral como um “símbolo” do encontro entre todos, a partir do próprio coração.

“Aqui reside a força de uma Igreja viva: acolher a periferia, que já se encontra no seu coração; o distante, que, na realidade, já está próximo; o estrangeiro em quem Cristo já bate à porta”, precisou.

A reconstrução do templo parisiense, consumido por um incêndio há sete anos, foi apontada pelo pontífice como a prova de que a catedral “é mais do que um monumento”.

“A participação coletiva na reconstrução e, hoje, o esplendor do resultado, revelam que neste lugar bate o coração de um povo, que estamos no centro vital de uma civilização, que o passado e o futuro se abraçam, que o céu e a terra se encontram”, precisou.

Num monumento que recebe milhões de pessoas, todos os anos, o Papa destacou que “a Catedral não é um embrulho de pedra para admirar”, mas “vive dentro do mistério sagrado que nela é celebrado”.

“O simples facto de entrar aqui coloca-nos diante de uma beleza que fala ao nosso coração inquieto e o convida à paz”, sustentou.

A nobre simplicidade do canto, da palavra e do gesto litúrgico pode representar, para muitos, uma fresta de esperança, um oásis de paz numa sociedade hiperconectada e barulhenta.”

O Papa elogiou a dinâmica de “acolhimento e participação” nos trabalhos de reconstrução, que foi “além das fronteiras da pertença eclesia”.

“Queridos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e seminaristas da França: deixai-vos inspirar pelo que aqui aconteceu! Dai prioridade à ‘Evangelii gaudium’ [priemria exortação apostólica do Papa Francisco, ndr], ou seja, àconversão missionária”.

A reflexão desafiou as comunidades católicas a promover uma “presença missionária, simples e benevolente, que contribua também para a harmonização das diferenças culturais e para a cura das feridas presentes nas sociedades”.

Leão XIV pediu que a comunhão com a Igreja seja colocada acima das “sensibilidades pessoais” para cultivar a unidade, alertando ainda os padres e religiosos para o perigo de descurarem a vida de oração.

No final da sua reflexão, o pontífice evocou a estátua do século XIV da Virgem com o Menino, que sobreviveu intacta às chamas de 2019, pedindo que Maria seja a “estrela que guia a missão da Igreja na França”.

Leão XIV chegou à área de Notre-Dame após percorrer as ruas de Paris em viatura aberta, num trajeto acompanhado por uma multidão estimada em 300 mil pessoas.

O Papa foi acolhido à entrada pelo arcebispo de Paris, D. Laurent Ulrich, e pelo reitor e arcipreste da catedral, monsenhor Olivier Ribadeau-Dumas.

Depois de rezar perante o Santíssimo Sacramento, o pontífice recolheu-se perante a relíquia da coroa de espinhos de Cristo, que, segundo os Evangelhos, foi colocada na cabeça de Jesus antes da sua crucificação.

Esta relíquia foi salva das chamas pelos bombeiros durante o incêndio de abril de 2019.

Na sua saudação inicial, o arcebispo de Paris sublinhou a alegria da diocese em receber o Papa “como um peregrino” num templo “restaurado com tanto cuidado”.

D. Laurent Ulrich destacou a presença, em comunhão, de cerca de 45 mil consagrados e seminaristas franceses que servem a Igreja num mundo “que finge não se interessar, mas tem sede de palavras verdadeiras, de amor fraterno e da paz que vem de Deus”.

Após a recitação das Vésperas, o Papa dirigiu-se ao exterior do templo, acenando à multidão que acompanhou a celebração com a ajuda de ecrãs gigantes, antes de um momento de oração diante da imagem da Virgem Maria.

O primeiro dos quatro dias de viagem culmina com uma vigília de oração dedicada aos jovens no ‘Stade de France’, em Saint-Denis.

OC

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