Leão XIV desafiou bispos a promover Igreja com voz livre, em contexto marcado pela secularização

Lourdes, França, 27 set 2026 (Ecclesia) – O Papa exortou hoje o episcopado francês a manter vigilância máxima contra o “doloroso flagelo” dos abusos, horas antes de se reunir de forma privada com um grupo de vítimas.
“Agradeço-vos por aquilo que fizestes, e sei que certos momentos foram muito difíceis para a vossa Conferência. Convém prosseguir no caminho encetado, mantendo a maior vigilância”, recomendou Leão XIV durante o encontro institucional com os membros da Conferência Episcopal de França (CEF), no Santuário de Lourdes.
A intervenção, divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé após a reunião privada, evocou o “doloroso flagelo dos abusos sobre pessoas menores, cometidos por membros do clero ou no contexto eclesial”.
“Tomastes disposições corajosas para lhe dar resposta, através da escuta, da busca da verdade, da justiça, do perdão, da reparação e de um compromisso determinado em prol de uma cultura da prevenção e da proteção contra estes crimes”, referiu o Papa, dirigindo-se ao episcopado católico.
A intervenção defendeu ainda a necessidade de salvaguardar a ação pastoral perante o “regime de laicidade muito particular” da República Francesa.
“Convido-vos a dar mostras de vigilância na defesa da liberdade e dos direitos da Igreja em evangelizar, educar para a verdadeira liberdade e praticar publicamente o culto”, declarou Leão XIV, no hemiciclo ‘Santa Bernadete’, em Lourdes.
O pontífice constatou que o país teve uma história “conturbada” num relacionamento Igreja-Estado que conseguiu ser apaziguado, mas apelou à resistência perante novas pressões.
“O facto de o equilíbrio laboriosamente alcançado ser pouco a pouco posto em causa, como acontece noutras partes do mundo ocidental, não vos deve fazer resignar”, vincou.
O Papa valorizou o papel da Igreja Católica na construção da sociedade francesas, perante uma “polarização inquietante, um recuo da fraternidade, da cordialidade e da qualidade de vida em sociedade”.
A palavra da Igreja tem o seu pleno lugar no debate público em França; ela possui, por natureza, uma autoridade profética. Mesmo que nem sempre seja ouvida, é nela esperada. Mesmo que não seja seguida, em particular sobre questões essenciais que tocam os fundamentos da civilização, ela é necessária; não duvideis disso!”

No campo da educação, um dos “desafios maiores” do contexto atual, o Papa defendeu a manutenção da matriz cristã nos estabelecimentos de ensino católico.
“O ensino católico não pode, de modo algum, renunciar ao seu projeto educativo, um projeto centrado em Cristo, que visa o desenvolvimento integral da pessoa humana em todas as suas dimensões: espiritual, cultural, intelectual, moral e social”, apelou.
“Muito menos ainda deveria algum aluno encontrar-se marginalizado na sua turma simplesmente por acreditar em Jesus”, lamentou Leão XIV.
O Papa deixou mensagens às famílias e às comunidades católicas, sublinhando que “as divisões ideológicas tornariam vão o seu testemunho” no espaço público, antes de lamentar o “o triste recuo das vocações para a vida consagrada, em particular na vida contemplativa”.
OC
