Oração pela paz na Ucrânia vai marcar peregrinação internacional de maio

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

Fátima, 12 mai 2022 (Ecclesia) – O Santuário de Fátima vai oferecer uma imagem de Nossa Senhora, igual à Imagem Peregrina, à Catedral de Lviv, anunciou hoje o padre Carlos Cabecinhas, reitor da instituição.

O sacerdote assinalou que a intenção de oração pela paz na Ucrânia vai “acompanhar de forma especial esta peregrinação” internacional do 13 de maio, a primeira sem restrições desde o início da pandemia, em março de 2020.

Esta sexta-feira, no final da peregrinação, vai ser abençoada uma imagem de Nossa Senhora, no habitual momento de bênção dos objetos religiosos, que será oferecida à Igreja Católica na Ucrânia.

“Decidimos oferecer uma imagem nova, idêntica àquela Peregrina, para que fique de forma definitiva na Catedral de Lviv”, anunciou o padre Carlos Cabecinhas.

O reitor recordou o pedido que foi feito por D. Ihor Vozniak, arcebispo metropolita greco-católico de Lviv, perante o cenário de guerra que se vive na Ucrânia, o qual solicitou em março solicitou o envio de uma imagem, para rezar pela paz.

Já no final desse mês, o responsável solicitou a Fátima o prolongamento da visita ou a cedência definitiva da imagem.

“O Santuário comunicou, de imediato, que a visita poderia prolongar-se o tempo que fosse necessário”

A Imagem Peregrina permanecerá na Ucrânia durante “o tempo que as autoridades religiosas entenderem oportuno e necessário”

A cedência definitiva foi rejeitada, por “questões de princípio”.

“A Imagem Peregrina, por definição, é aquela que parte do Santuário e regressa ao Santuário de Fátima

A Imagem Peregrina já passou por outra diocese, além de Lviv, e a intenção é que “a partir dali vá visitando outras dioceses, na Ucrânia, onde tal for possível”.

A Imagem nº 13 é uma réplica da Imagem número 1, desenhada e concebida de acordo com instruções da Serva de Deus, Irmã Lúcia de Jesus e coroada solenemente pelo arcebispo de Évora, em 13 de maio de 1947.

Esta noite, os participantes nas celebrações na Cova da Iria, presidida pelo substituto da Secretaria de Estado do Vaticano, D. Edgar Peña Parra, vão rezar “pela paz no mundo, em especial pelas vítimas do conflito na Ucrânia”.

“Para que o Senhor ensine o mundo a amar a Paz, a construí-la e a defendê-la e, contra as premissas de guerra que continuamente renascem, leve os decisores políticos a construírem um mundo novo”, indica a intenção da oração universal.

Já no dia 13 de maio, os peregrinos voltam a rezar “pela paz no mundo, em especial pelas vítimas do conflito na Ucrânia, para que o Senhor abra os corações dos decisores políticos e os leve ao discernimento de que só na paz é possível ser todos irmãos”.

O padre Carlos Cabecinhas destacou aos jornalistas que esta oração pela paz acontece sem “hostilidade” pela Rússia, lembrando que a Ucrânia é “a grande vítima de agressão”.

“É isso que temos presente. Pedimos a paz para a Ucrânia, não pedimos a desgraça para a Rússia”, precisou.

Questionado sobre a ligação entre a Rússia e o chamado Segredo de Fátima, o sacerdote destacou que, mais do que um povo, essa referência diz respeito a uma “ideologia” que pretende “excluir Deus, de forma radical” da vida das pessoas.

“A situação é outra, os tempos são outros, o horizonte mudou radicalmente”, indicou, a respeito das Aparições de 1917, antes de rejeitar qualquer “visão ideológica” da Mensagem de Fátima.

O reitor evocou a consagração da Rússia e da Ucrânia, a 25 de março, por iniciativa do Papa, no qual, em Fátima, um dos mistérios do Rosário foi rezado em ucraniano e russo, destacando a “necessidade constante de oração pela paz”.

Para o responsável, está em causa uma “deriva imperialista” que provocou a guerra, após a invasão de outro país.

Esta, acrescentou, não é uma posição política, mas procura “dar destaque àqueles, que neste momento, são as grandes vítimas, não as únicas vítimas”.

“Há soldados russos na Ucrânia, não há soldados ucranianos na Rússia”, insistiu.

D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, alertou para a “enormidade da guerra”, como aconteceu em 1917, convidando todos a rezar e “empenhar-se” pela paz.

“É uma tragédia que atinge populações inteiras”, lamentou.

O responsável, que acompanha pela primeira vez uma peregrinação internacional como bispo diocesano, sustentou que “a guerra é o contrário daquilo que a humanidade precisa”.

Perante as “consequências dramáticas de destruição e de morte”, com impacto em todo o mundo, D. José Ornelas disse ser necessário “encontrar uma outra compreensão”.

OC

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