Ideia do casamento surgiu na vida dos dois após iniciarem peregrinações em conjunto, primeiro como promessa e depois como agradecimento

Anadia, 08 mai 2026 (Ecclesia) – António Fial e Natália Ribeiro peregrinam pelo terceiro ano consecutivo até ao Santuário de Fátima, integrados num grupo de Travanca-Amarante, e consideram que, desde então, a vida em comum se transformou.
“Desde que começámos a fazer a peregrinação, eu acho que a nossa vida mudou completamente. Foi uma volta de 180 graus mesmo. Casámo-nos, vivíamos juntos há muitos anos e sentimos a necessidade de pensarmos em casar e casámo-nos, entretanto”, afirmou a peregrina, em declarações à Agência ECCLESIA esta quinta-feira, em Anadia, Aveiro.
A primeira ida a Fátima em peregrinação nasceu de uma promessa de Natália Ribeiro, ao contrário dos anos seguintes que tiveram o agradecimento como motivação.
António Fial assinala que apesar do esforço físico, a experiência “vale a pena”, destacando o sentimento de alívio na chegada ao Santuário.
O peregrino realça ainda o bom ambiente que se vive no Grupo de Peregrinos a Pé Travanca-Amarante, com cerca de 370 elementos, incluindo equipas de apoio logístico, assistência médica, distribuição de alimentação, transporte de bagagens.
“Não será o último [ano de peregrinação] com certeza. Eles são incríveis, são incansáveis. Nós só temos mesmo que caminhar, mais nada. Temos tudo pronto e preparado para nós quando chegamos”, partilha Natália.
O conjunto de peregrinos partiu na terça-feira de Amarante e esta quinta-feira concluiu mais uma etapa do percurso, chegando a Anadia, em Aveiro, ficando instalado no Colégio dos Salesianos.
“Começamos a cinco [de maio] e terminamos a 11. E depois este grupo em questão tem a opção de fazer o 11 e o 12 e vir embora no dia 13. No ano passado ficámos até ao 13. Este ano devido a condições de trabalho ficámos até ao 11”, conta António Fial.
Para o peregrino, as deslocações a Fátima a pé são “um carregar de baterias” que a agitação do quotidiano não permite.

O casal Fernanda e Rui Silva integra o mesmo grupo de peregrinos há cinco anos e descreve a experiência como “inesquecível”.
“A partilha é muito boa, o lado espiritual também. Porque aprendemos coisas que nos fazem transformar melhores pessoas. No fundo, acho que o que nos leva a vir cá é tentar tornarmo-nos melhores pessoas e que a nossa filha se orgulhe de nós”, afirmou o peregrino.
Para Fernanda Silva, este “é um grupo fabuloso”: “Se fosse de um a cem, era cem. Porque eles não podem fazer mais por nós”.
“Ficamos com amigos para a vida. Preocupam-se sempre connosco”, indica.
Sobre o que se ganha com esta experiência, Rui Silva realça a capacidade de se colocar no lugar do outro.
“Perceber que às vezes nossos pequenos problemas não são nada comparados com os problemas dos outros. E é tudo relativo”, disse.
“Eu tenho a sensação e às vezes falo. Durante o mês, por exemplo a partir do dia 13, durante o mês, mesmo no emprego, eu sou outra pessoa. Como se costuma dizer. Acho que ainda estamos anestesiados”, referiu Natália Ribeiro.
Para Rui Silva, peregrinar é dar o seu melhor e “receber em troca o melhor dos outros”.
“É uma dádiva constante”, disse.
A Peregrinação Internacional Aniversária de Maio assinala a primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos, na Cova da Iria, e este ano é presidida por D. Rui Valério, patriarca de Lisboa.
O Santuário da Cova da Iria divulgou, na terça-feira, que estavam inscritos, até ao momento, 138 grupos de peregrinos, dos cinco continentes, num total de 6301 pessoas.
LJ/OC
