D. Edgar da Cunha questiona católicos «só de nome» e convida a mudança concreta na vida dos batizados

Fátima, 12 ago 2022 (Ecclesia) – O bispo de Fall River (EUA) convidou hoje os peregrinos presentes em Fátima a assumir um papel na evangelização e construção de um mundo melhor, rejeitando a ideia de ser católicos “só de nome”.

“Eu espero que a partir de hoje dediquemos mais tempo à oração e menos tempo à televisão; mais tempo com a família e menos em interesses pessoais; mais tempo em silêncio, para ouvir a voz de Deus, e menos tempo com os barulhos da vida; mais tempo com Jesus e menos tempo nas redes sociais”, disse D. Edgar da Cunha, religioso brasileiro, responsável por uma diocese norte-americana com forte presença lusófona.

O Santuário de Fátima recebe hoje milhares de migrantes para a peregrinação internacional aniversária de agosto, que o presidente da celebração desejou que seja uma “verdadeira demonstração de fé”.

“A partir dessa minha peregrinação a Fátima, qual vai ser a minha resolução de mudança? Qual o legado dessa participação nesse evento espiritual em minha vida? O que vai mudar em minha vida a partir de hoje?”, questionou.

O responsável católico sustentou que a fé muda a visão sobre si próprio, o mundo e a vida.

“O que seria de nós sem a nossa fé? Como seriam nossas vidas? Onde nos apegaríamos, onde nos apoiaríamos? Como enfrentar os sofrimentos e dificuldades da vida?”, apontou.

Apresentando aos peregrinos “as saudações, as orações, a fé e devoção de tantos paroquianos portugueses e descendentes de portugueses na Diocese de Fall River”, D. Edgar da Cunha afirmou que o encontro na Cova da Iria “não é um momento nem um encontro turístico ou de entretenimento, mas sim uma peregrinação”.

A fé ajuda-nos a ver as coisas como Deus as vê. Ajuda-nos a ver as outras pessoas e o mundo como Deus os vê. E com a fé vem a esperança. Não podemos perder a esperança de que podemos melhorar, de que as pessoas se podem converter e o mundo pode ser melhor”.

A intervenção evocou um “mundo dilacerado pela guerra, injustiça, violência, falta de respeito à vida e a dignidade da pessoa humana”, bem como as perseguições aos cristãos, em vários países.

“Não desistam nunca de continuar a acender o fogo da fé e da esperança”, disse o presidente da celebração.

O bispo de Fall River deixou, em particular, um apelo às famílias.

Foto: Santuário de Fátima

“Dediquem tempo aos filhos. Rezem juntos em família. Não deixem os filhos sozinhos com a TV, Internet, nas redes sociais. Alguns pais dão muitos presentes aos filhos para compensar a ausência deles mesmos. Ao invés de darem presentes, estejam presentes e sejam presentes”, pediu.

D. Edgar da Cunha recomendou ainda aos jovens que não se deixem influenciar “pelas redes sociais, pela internet, pelos amigos”.

“Não pensem que Deus, Religião, Sacramentos, Igreja e Oração são coisas do passado e somente para as pessoas velhas”, referiu.

Que possamos regressar às nossas terras iluminados por uma fé renovada, para trabalharmos junto na construção de um mundo melhor. Fé para as famílias, fé para as crianças, fé para os jovens, fé para o mundo inteiro e para as futuras gerações”.

Os participantes na Eucaristia rezaram pelos responsáveis políticos, “para que evitem o nacionalismo indiferente à sorte dos mais pobres” e desenvolvam políticas de hospitalidade que “abram as sociedades que governam aos migrantes e refugiados”.

A oração universal recordou ainda as comunidades de portugueses e lusodescendentes espalhadas pelo mundo, todos os que sofrem as “consequências dramáticas da pandemia” e as vítimas do conflito na Ucrânia.

Foto: Santuário de Fátima

A peregrinação incluiu esta manhã a tradicional oferta de trigo, ação que se repete pela 82.ª vez, iniciada por um grupo de jovens da Juventude Agrária Católica, de 17 paróquias da Diocese de Leiria, que em 1940 ofereceu 30 alqueires de trigo, destinados ao fabrico de hóstias para consumo no Santuário de Fátima.

No final da Missa, o reitor da instituição, padre Carlos Cabecinhas, agradeceu ao presidente da peregrinação, pela sua presença e reflexões.

“Pode contar, certamente, com a nossa oração”, acrescentou o padre Carlos Cabecinhas, falando em nome do bispo da Diocese de Leiria-Fátima, D. José Ornelas.

OC

Na última noite foi retomada, após dois anos de interrupção, a vigília de oração animada pelos Secretariados Diocesanos de Migrações, comunidades católicas da diáspora e capelania nacional ucraniana.

As celebrações integram a peregrinação do migrante e do refugiado, no âmbito da 50.ª Semana Nacional de Migrações, que começou na segunda-feira e termina no domingo, sob o tema ‘Construir o futuro com migrantes e refugiados’.

Esta é uma iniciativa da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), organismo da Conferência Episcopal Portuguesa que em 2022 completa 60 anos de existência.

A Palavra ao Doente, no final da Eucaristia no Recinto de Oração da Cova da Iria, foi dirigida por Eugénia Quaresma, diretora da OCPM.

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