Tema foi apresentado no X Encontro Mundial das Famílias psicóloga Christauria Welland

Ricardo Perna, da Família Cristã, em serviço especial para a Agência ECCLESIA

Foto Ricardo Perna/Família Cristã – Christauria Welland

Cidade do Vaticano, 25 jun 2022 (Ecclesia) – A psicóloga Christauria Welland apresentou o tema da violência doméstica no X Encontro Mundial das Famílias e afirmou que resulta da “indiferença” e a religião não diminui o problema no ambiente familiar das famílias crentes.

“Infelizmente, não tem havido muita investigação sobre o tema, mas a pesquisa que li e que é muito citada é que as pessoas que praticam religião não têm menos violência doméstica nas suas famílias que as famílias que não praticam nenhuma religião”, afirmou em declarações à Agência ECCLESIA.

Christauria Welland disse que parte do problema da luta contra a violência doméstica está no facto de não se falar sobre isso, também nos ambientes crentes.

“Começámos a falar no pontificado do Papa Francisco e agora é algo que está nos documentos, as pessoas falam, eu estou aqui a dar esta entrevista, e isto é algo que não se via antes”, referiu.

Diante de estatísticas que apontam para médias de 30% das pessoas, em muitos países, a praticar atos de violência doméstica, chegando aos 50% noutros, Christauria Welland constatou a surpresa generalizada, apontando para as causas do problema o alcoolismo e a “cultura de violência” global.

“Se crescemos numa cultura em que há muita violência de qualquer espécie, então haverá muita violência doméstica. Se cresceu numa zona de guerra ou onde a polícia não entra, ou onde não há leis contra violência doméstica, ou respeito pelas mulheres, se não estamos sempre a falar nisto, as pessoas não recebem a mensagem”, afirmou.

Christauria Welland sublinhou a necessidade de “falar sobre a dignidade humana, sobre a violência, de ensinar as crianças​, desde mais novas​,​ de estratégias para evitar a violência é muito grande”.

A psicóloga disse também que é necessário colocar o tema entre as preocupações das comunidades católicas, incluí-lo nos temas das homilias e passar a consciência de que “é pecado”.

“Muitos católicos não sabem que é pecado magoar outro ser humano, em particular a sua esposa ou os seus filhos, não associam que precisam de se confessar por causa disso. Temos muito que ensinar às pessoas sobre dignidade, autocontrole, respeito e a igualdade de homens e mulheres, para que as pessoas percebam que não é correto magoar as pessoas”, afirmou.

Referindo-se ao tema da violência doméstica, D. Armando Esteves disse que se trata de uma problemática que “preocupa imenso”, também porque a pandemia e o ambiente de guerra a agrava, e desafiou a Pastoral Familiar a “olhar para tantas crises com coragem”.

Foto Ricardo Perna/Família Cristã

“A violência doméstica é um fruto da indiferença. Educamos durante muito tempo para o individualismo, e damos conta do quão difícil é ser casal, e ser casal para sempre. Mas também este individualismo, se não fazermos algo contra isto, fecha-se nas casas e os problemas ficam trancados”, afirmou.

O bispo auxiliar do Porto e membro da Comissão Episcopal Laicado e Família, que participa no Encontro Mundial das Famílias, em Roma, desafiou à proximidade, a “estar atento e de criar laços” com “quem é feliz ou vive triste” para que os problemas se possam ver e seja possível intervir no “caminho doloroso que as pessoas estão a fazer”.

“É um desafio porque é uma fraqueza das comunidades, uma fraqueza dos cristãos e da vivência dos laços de vizinhança que todos deveríamos ter. Proximidade, proximidade, proximidade…”, afirmou.

O X Encontro Mundial das Famílias está a decorrer em Roma, em ligação com as dioceses de todo o mundo; a delegação de Portugal a este encontro, no Vaticano, é constituída pelos seis casais do Departamento Nacional da Pastoral Familiar, a irmã Inês Senra, o assistente padre Francisco Ruivo,  o presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família D. Joaquim Mendes, D. Armando Esteves, que integra a mesma comissão, e o secretário da comissão José Francisco Cruz.

PR

Reportagem em Roma no âmbito do X Encontro Mundial das Famílias resulta de uma parceria entre a Agência Ecclesia, a Família Cristã, o Diário do Minho e a Associação de Imprensa de Inspiração Cristã

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