«Lavar os pés é manifestação de humildade e de serviço»- D. Francisco Senra Coelho

Évora, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora destacou que com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, em Quinta-feira Santa, recordam-se “três mistérios” que são “compreendidos e vividos à luz do lava-pés” de Jesus, na homilia da celebração onde repetiu esse gesto.
“Os pés, de facto, são meio para caminhar, são imagem do nosso seguimento de Jesus. Lavar os pés dos nossos irmãos significa, portanto, sentirmo-nos responsáveis pela sua fidelidade, servir com alegria a cada um”, disse D. Francisco Senra Coelho, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
O arcebispo de Évora presidiu à Missa da Ceia do Senhor, com rito do lava-pés, na catedral, e explicou que com esta celebração vespertina em Quinta-feira Santa, a Igreja Católica inicia o Tríduo Pascal e faz memória da “instituição do Sacramento da Eucaristia, da instituição do Sacerdócio ministerial e do mandamento sobre a Caridade fraterna”.
“Esses três mistérios recordados são compreendidos e vividos à luz do Lava-pés que é o centro do evangelho de hoje”, acrescentou, explicando que São João, ao contrário dos outros evangelistas, substituiu a narração da instituição da Eucaristia “pela apresentação do gesto do Lava-pés” de Jesus aos seus discípulos.
“A Eucaristia – máxima expressão da doação de Jesus Cristo – é apresentada através de um gesto de caridade fraterna. Lavar os pés é manifestação de humildade e de serviço, em certo sentido antecipa a humilhação final da cruz salvadora, que se realizará poucas horas depois”, desenvolveu.
D. Francisco Senra Coelho explicou que “não foi por acaso que Cristo escolheu instituir a sua Eucaristia durante a celebração da páscoa judaica”, a humanidade pode compreender que Jesus Cristo “é o verdadeiro e definitivo Cordeiro Pascal”.
“Assim, como foram marcados com o sangue do cordeiro as portas dos hebreus durante a libertação do Egito no Antigo Testamento. Também nós somos marcados com o Seu sangue e somos alimentados com a Sua carne. E do mesmo modo que as famílias deveriam oferecer um cordeiro pascal, Cristo se oferece na Eucaristia e pede aos discípulos através do Lava-pés que eles permaneçam com a disposição de oferecer-se aos irmãos através do serviço da caridade fraterna”, desenvolveu.
O arcebispo de Évora destacou que na segunda leitura, de São Paulo ao Coríntios, escutaram “o mais antigo relato sobre a instituição da Eucaristia”.
“Através do texto paulino compreendemos que ao comungar na Ceia celebrada em memória do sacrifício de Cristo, as comunidades cristãs podem associar-se ao acontecimento sacrificial do Calvário realizado de “uma vez para sempre”, e que é atualizado em cada Eucaristia vivida em todo e qualquer tempo e lugar”, salientou D. Francisco Senra Coelho.
Após a celebração da Missa da Ceia do Senhor, com rito do lava-pés, a comunidade arquidiocesana continuou reunida em adoração ao Santíssimo Sacramento, na Catedral de Évora.
CB
