D. Manuel Clemente falou sobre «Unir para Construir» no «Enovar20»

Foto D.R

Cascais, 08 fev 2020 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa disse hoje que “é valorizando” o que acontece nas famílias, nos grupos, nos movimentos, que “a base territorial diocese-paroquia deve funcionar”, porque “as pessoas hoje não têm fronteiras” e “não se podem fechar”.

“Sobretudo em meio urbano, onde a base sociológica é muito flutuante, é absolutamente necessário que as pessoas se agrupem em grupos mais pequenos e muitas vezes até interparoquiais”, explicou D. Manuel Clemente, em declarações à Agência ECCLESIA, na conferência nacional ‘Enovar 2020’, que vai terminar após o serão de louvor que começa às 21h30.

Neste contexto, e depois de apresentar o tema ‘Unir para Construir’, o cardeal-patriarca de Lisboa observou que as pessoas “vêm de várias proveniências”, mas nas várias paróquias onde atuem que “essas experiências comunitárias mais estritas se alarguem à experiência comunitária geral”, porque assim também crescem em termos de igrejas.

“Nas áreas urbanas é hoje uma realidade, em cada paróquia, cada um de nós sabe que tem pessoas que eventualmente, ou muito geralmente, estão presentes em realidades transversais”, acrescentou, dando como exemplo as Equipas de Casais “com pessoas de várias paróquias”, os agrupamentos de escuteiros com jovens que “já residiram ali mas residem noutro sítio”, ou membros do Renovamento Carismático, das Comunidades Neocatucumenais, os grupos Alpha.

Segundo D. Manuel Clemente, o que “é importante” é como é que “em cada um destes núcleos paroquiais” que têm a particularidade de juntar gente de todo o lado.

O cardeal-patriarca de Lisboa recordou que o mundo hoje, como comparou um colega, faz com que as comunidades “sejam aeroportos” onde há “sempre” movimentação de aviões mas “enquanto estão na sala de espera” as pessoas encontram-se todas.

É uma ideia sugestiva que faz com que todas estas realidades que são novas na sua maneira de aparecer e continuar depois colijam em realidades mais vastas nas paróquias e nas dioceses com padres seculares, com padres de ordens religiosas, com pessoas que já vivem há muito tempo, com outras que estão a chegar, com outras que vão partir”.

D. Manuel Clemente assinalou que também existem hoje “as potencialidades mediáticas e de internet” para manter as pessoas, “de alguma maneira, ligadas” em cada paróquia, em cada diocese, “como realidades gerais onde acabam por assentar, nem que seja por algum tempo”.

A 3ª edição da conferência nacional ENOVAR, ao longo de dois dias, começou esta sexta-feira, teve como o objetivo desafiar os participantes a repensar a pastoral e encontrar novas maneiras de transmitir a sua fé.

“Este evento pretende colocar à Igreja e aos participantes a questão: como é que estamos a fazer a nossa pastoral, tendo em conta as palavras e os documentos do Papa; olhando a perspetiva missionária, Enovar significa tentar encontrar novas formas de viver a evangelização e apresentar Jesus Cristo”, disse o padre Jorge Santos, presidente do Alpha Portugal, em declarações à ECCLESIA na apresentação do encontro no Centro de Congressos do Estoril.

O percurso Alpha nasceu na Igreja Anglicana, em Inglaterra, numa comunidade envelhecida cujo pastor ia fechar as portas da igreja e “fez um repto, um mês para levarem filhos, netos” para tertúlias com jantar e de cinco encontros iniciais o número de sessões.

HM/OC/CB

 

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