Religiosas propõem «cuidado humanizado, integral e interdisciplinar, a favor da saúde e da qualidade de vida das pessoas»

Lisboa, 20 fev 2020 (Ecclesia) – As Irmãs Hospitaleiras anunciaram hoje em comunicado que nos estabelecimentos de saúde dirigidos pelo seu Instituto “não será permitida” a prática de atos que “possam abreviar a morte intencionalmente a pedido do doente”.

A tomada de posição surge no dia em que se debate no Parlamento a legalização da eutanásia em Portugal, com a votação de cinco projetos de Lei – PS, BE, PAN, PEV e IL.

O Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus “reitera a fidelidade aos princípios do respeito pela vida humana, sagrada e inviolável, a promoção das melhores práticas clínicas ao serviço do cuidado com dignidade, do alívio do sofrimento e do conforto na atenção, especialmente quando a vida é mais vulnerável”.

“Continuaremos a envidar todos os esforços para continuar a oferecer, uma atenção e cuidado humanizado, integral e interdisciplinar, a favor da saúde e da qualidade de vida das pessoas que se encontram aos nossos cuidados nos âmbitos não só físico, mas também psicológico, social, espiritual e ético”, acrescenta a nota, enviada à Agência ECCLESIA.

As religiosas consideram “essencial” que se rejeite a legalização da eutanásia.

A resposta à vida, não se encontra na morte, mas sim na humanização, na proximidade e na compaixão, entendida no seu sentido, ou seja, o acompanhamento incondicional à dor de quem a sofre”.

Fátima Oliveira, enfermeira chefe da Unidade de Cuidados Paliativos da Casa de Saúde da Idanha (Concelho de Sintra), chegou há 14 anos da área dos Cuidados Intensivos, respondendo a um “desafio da instituição”.

“Os cuidados paliativos mudaram a perspetiva da minha vida”, relata à Agência ECCLESIA, considerando essencial “cuidar também do morrer”.

A responsável lamenta processo demasiado “burocrático”, que impede que a unidade esteja cheia.

“Os doentes chegam numa fase muito avançada da sua doença incurável”, em grande sofrimento, aponta, e as famílias chegam “perdidas, desacompanhadas, desinformadas”, com medo.

Segundo a enfermeira Fátima Oliveira, falta tempo para fazer este percurso “de forma digna, de forma consciente”

“Todos nós queremos dar um sentido à nossa vida, estando a morrer ou não. Era importante termos esse tempo”, precisa.

Aqui a pessoa morre num quarto, com a família ao lado, com os sintomas físicos controlados, com resposta a todas as outras dimensões do sofrimento. É isto que faz sentido”.

Em 14 anos, neste serviço foram acompanhados 1300 doentes, dos quais “dois ou três” pediram para “acabar com tudo”.

“Aqui estávamos nós, para identificar a causa desse sofrimento, o que é que levava aquela pessoa a pedir para acabar com a vida e dar uma resposta. Depois dessa resposta, a pessoa já não queria morrer”, responde Fátima Oliveira.

SN/OC

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