Documento foi assinado por cerca de 2000 pessoas

Lisboa, 19 fev 2020 (Ecclesia) – Um grupo de jovens ligados aos Centros Universitários da Companhia de Jesus vai entregar hoje aos grupos parlamentares uma Carta Aberta aos deputados da Assembleia da República, relativa ao tema da eutanásia, intitulada ‘Prevenir o que não se pode remediar’.

O documento foi assinado por quase 2000 jovens entre os 16 e os 30 anos.

“Partilhamos com quem apresenta os projetos de lei que serão discutidos no dia 20 a preocupação com o sofrimento, a doença, a dignidade, a solidão, e a dificuldade de lidar com a morte”, refere a missiva.

Na carta, os jovens consideram que “a morte assistida”, nas formas de eutanásia e suicídio medicamente assistido, “não é uma resposta adequada” e que a sua aprovação no Parlamento “poderá constituir um irremediável erro, que ainda é possível prevenir”.

A Assembleia da República agendou para 20 de fevereiro o debate dos projetos do BE, PS, PAN, PEV e IL sobre a despenalização da eutanásia em Portugal e os jovens apelam aos deputados no parlamento que votem contra os projetos de lei.

“Nenhum de vós poderá garantir que os efeitos da rampa deslizante não se farão sentir em Portugal. Nenhum de vós poderá garantir uma infalível aplicação da lei. E quando o que está em causa é a vida, nenhum erro ou precipitação se poderá remediar. Resta apenas prevenir”, apelam aos deputados portugueses, depois de lembrar que “há muito por fazer na atenção a quem sofre”.

Em 2018, a Assembleia da República debateu projetos de despenalização da morte medicamente assistida do PS, BE, PAN e Verdes, que foram rejeitados, numa votação nominal dos deputados, e os jovens alertam que, “já nesse momento, a discussão foi escassa e não esclareceu a opinião pública”.

Em ‘Prevenir o que não se pode remediar’, os jovens referem também que têm “dificuldade em compreender os argumentos da liberdade e da autonomia” do doente como justificativos da opção pela eutanásia.

Não estamos a falar de desligar um suporte artificial de vida ou interromper tratamentos desnecessários. Essas possibilidades já estão reguladas, respeitando a liberdade do doente e dos profissionais de saúde. Aqui trata-se de um médico provocar a morte de um doente e para isso não basta citar o princípio da liberdade individual”.

A juventude ligada aos Jesuítas assinala que a eutanásia torna a morte assistida “num ato médico, mas também num ato jurídico”, objeto de uma legislação que transforma profissionais de saúde em “juízes da vida e da morte”.

“Se a lei for incorretamente aplicada, o resultado é a morte indevida de alguém. E esse erro é irremediável, pois a morte é irremediável”, sublinham.

Os jovens questionam como se lida com os casos em que o doente pede para morrer “devido a outros motivos que não a sua doença”, como o medo de sofrer ou de ser um peso para os outros, a solidão ou o abandono?

Em 2016, a CEP publicou a Nota Pastoral ‘Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador’, na qual os bispos católicos afirmam que “nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa que pede a eutanásia”.

OC

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