Europa: Cáritas considera estratégia para erradicar pobreza «uma base promissora» para «uma vida digna»

Secretária-geral da Caritas alerta que «Europa não pode prosperar enquanto milhões forem deixados para trás»

Bruxelas, 07 mai 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Europa afirma que a primeira estratégia da União Europeia (EU) contra a pobreza, apresentada pela Comissão Europeia, representa “um passo importante” para colocar o combate à pobreza “numa posição de destaque na agenda política” europeia.

“Os nossos líderes têm uma responsabilidade para com os milhões de pessoas em risco de pobreza ou que vivem na pobreza na Europa. Esta estratégia é uma base promissora para garantir uma vida digna para todos”, afirmou a secretária-geral da Caritas Europa, Maria Nyman, num comunicado da instituição publicado esta quarta-feira, dia 6 de maio.

A Comissão Europeia apresentou a primeira estratégia contra a pobreza da União Europeia (UE), um propósito a longo prazo até 2050, que quer reduzir o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social “em pelo menos 15 milhões até 2030”, e foca-se em “empregos de qualidade, acesso a serviços e apoio ao rendimento, e numa ação mais coordenada”.

“A pobreza afeta 1 em cada 5 europeus, incluindo 1 em cada 4 crianças, enquanto cerca de 1 milhão de pessoas não tem onde viver em toda a UE”, contabiliza a Comissão Europeia, que propõe “novas medidas” com o objetivo de prevenir a pobreza e a exclusão social, e de apoiar aqueles que já se encontram nesta situação.

Em 2025, de acordo com os dados mais recentes do Eurostat, 92,7 milhões de pessoas na União Europeia, 20,9 % da população, contínua “em risco de pobreza ou exclusão social”, e os grupos mais afetados são “as mulheres e os jovens”, números que representam “uma ligeira diminuição em relação a 2024”.

A Cáritas Europa lamenta que “enquanto milhões de pessoas continuam a lutar para sobreviver”, a estratégia apresentada representa o “reconhecimento há muito esperado de que a pobreza pode ser erradicada”, mas não pode ser combatida de forma isolada, e exige uma resposta coerente, “baseada na dignidade humana, que abranja todas as áreas políticas e níveis de governação relevantes”.

O pacote da primeira estratégia da UE de combate à pobreza, inclui, para além do plano da Comissão Europeia para erradicar a pobreza na UE até 2050; uma proposta de recomendação do Conselho sobre o combate à exclusão no acesso à habitação; e duas comunicações: uma sobre como quebrar o ciclo da pobreza infantil – reforçando a Garantia Europeia para a Criança – e outra sobre o reforço da estratégia para os direitos das pessoas com deficiência até 2030.

A secretária-geral da Caritas Europa acrescenta que “uma estratégia por si só não é suficiente para tirar as pessoas da pobreza”, a menos que seja apoiada por “uma forte vontade política, medidas coordenadas e financiamento adequado”.

“Nestes tempos desafiantes, os nossos líderes devem cumprir mais do que promessas e garantir que os mais afetados participam na elaboração de soluções políticas”, acrescenta Maria Nyman.

A Comissão Europeia vai trabalhar com parceiros sociais para “apoiar as pessoas que enfrentam barreiras ao emprego”, e as pessoas idosas através de pensões adequadas, quer também “construir uma coligação contra a pobreza com os governos nacionais, regionais e locais, as empresas e a sociedade civil”, e consultar as pessoas em situação de pobreza “sobre políticas que as afetam”.

Foto: Cáritas Portuguesa

O principal órgão executivo da UE propõe ainda “reforçar a Garantia Europeia para a Infância”, o principal instrumento da União Europeia para apoiar as crianças carenciadas “através do acesso a serviços como a educação, os cuidados de saúde e as refeições escolares”.

A Caritas Europa lembra que a pobreza “não se resume apenas ao rendimento”, envolve também “a desigualdade, a discriminação e a exclusão da plena participação na sociedade”, por isso, lamenta que a estratégia se concentre “excessivamente na integração e na ‘ativação’ do mercado de trabalho, bem como na ideia de que um emprego (mesmo um emprego de qualidade)”, como principal ferramenta para prevenir a pobreza.

“Isto corre o risco de restringir a compreensão e as soluções para a pobreza; por toda a Europa, um número significativo de pessoas trabalha, por vezes em vários empregos, e não consegue ter um nível de vida digno”, alerta a Caritas Europa, para quem o orçamento de longo prazo da UE – QFP 2028-2034 – vai ser o “verdadeiro teste para verificar se este compromisso é genuíno”.

CB

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