Antigo responsável mundial pelo movimento evoca fundador, que nasceu a 22 de fevereiro de 1857

Lisboa, 22 fev 2021 (Ecclesia) – O português João Armando Gonçalves, antigo responsável mundial do movimento escutista, disse hoje à Agência ECCLESIA que a celebração do dia de Baden-Powell é a celebração de um homem capaz de “pensar à frente”.

“Alguém que, com um propósito educativo, pega em miúdos e os põe a acampar é completamente inovador” reconhece o entrevistado, para quem o melhor de Baden-Powell é “a sua capacidade de pensar à frente e de experimentar”.

O Escutismo é hoje “uma família que há mais de 100 anos se vem juntando e que tem como propósito comum, ajudar a tornar o mundo um bocadinho melhor”, indica João Armando Gonçalves.

Robert Baden-Powell nasceu a 22 de fevereiro de 1857, em Londres, e fundou o Escutismo em 1907.

João Armando Gonçalves, que durante três anos, foi o presidente do Comité Mundial do Escutismo, é o português que pelas funções desempenhadas, mais se aproxima de Baden-Powell.

Salvaguardando a distância, afirma que o fundador foi “uma figura à parte”, considerando que o maior desafio do seu mandato foi “neste mundo cada vez mais diversificado e fragmentado, conseguir manter a unidade do movimento”.

Foto: CNE

O responsável recorda a responsabilidade de assegurar a continuidade de um movimento que, desde 1907, de forma ininterrupta continua a atrair jovens ajudando-os a crescer.

Nesse sentido, reconhece que a diversidade não são uma ameaça, mas antes “a riqueza do movimento escutista”

O Escutismo figura, este ano, entre os nomeados para o Prémio Nobel da Paz.

“Só a nomeação é já um grande reconhecimento”, considera João Armando.

“Estamos a falar de milhões de pessoas a fazer coisas pequeninas à escala local, pode parecer pouco, mas não é. Se somos 51 milhões de escuteiros estamos a falar de mais de cem milhões de braços” acrescenta.

O antigo responsável mundial destaca ainda o impacto da pandemia de Covid-19, que retirou milhões de jovens das atividades ao ar livre e os confinou em casa.

“O nosso cenário natural é o ar livre, as atividades de natureza e os desafios que esse meio nos coloca, é uma das nossas principais ferramentas educativas”, indica o entrevistado, destacando o papel dos dirigentes e dos animadores adultos no esforço de adaptação.

É um esforço notável até comovente, a forma como os nossos adultos tiveram de adaptar-se profissionalmente e depois adaptar o escutismo a este meio digital. É um trabalho imenso para manter o grupo ligado e unido a fazer atividades”.

No dia do fundador do Escutismo, João Armando Gonçalves afirma que é preciso fazer mais do que evocar “a imagem plástica do personagem histórico”, recordando o seu “pensamento e a sua intuição educativa”.

Fruto das contingências provocadas pelo estado de emergência, este ano os escuteiros do CNE celebram a data através de uma dinâmica online, a nível nacional, com o lema “Criar um Mundo Melhor”.

Em Portugal, este movimento está presente através da Associação de Guias de Portugal, escutismo feminino, e pela Federação Escutista de Portugal que engloba duas Associações. Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP), fundada em 1913, e o Corpo Nacional de Escutas (CNE), fundado em 1923; o escutismo católico regista 72 mil membros, o que faz dele a maior organização de juventude do país.

HM/OC

Escutismo: CNE celebra o dia de Baden-Powell

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