Participantes alertam para reflexão fechada e distante das comunidades

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Lisboa, 02 jun 202 (Ecclesia) – A Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) recebeu, entre segunda e terça-feira a 16ª Assembleia Geral da Conferência de Instituições Católicas de Teologia – CICT/COCTI, na qual se apelou ao diálogo entre o mundo académica e as comunidades cristãs.

“A pastoral não está suficientemente em diálogo com a Teologia”, disse à Agência ECCLESIA Gilles Routhier, presidente da CICT/COCTI e docente de Teologia no Quebeque (Canadá).

O responsável destacou a necessidade de receber as questões que chegam da vida da Igreja e ajudar a “transformá-la”, na reflexão teológica, renovando as comunidades católicas e o mundo.

A CICT/COCTI congrega mais de 50 instituições de estudos superiores em Teologia dos cinco continentes, mostrando uma produção “ligada aos contextos” de cada região.

“O objetivo é reunir pessoas de diversos continentes para falar de Teologia, o que estamos a fazer nas nossas Faculdades, quais são as novas questões, as evoluções que se podem observar nos cinco continentes”, apontou Gilles Routhier.

Ana Jorge, diretora da Faculdade de Teologia da UCP, destacou a possibilidade de “alargar horizontes” com outros investigadores, neste encontro, para “ler o concreto, em chave teológica”.

A docente sublinhou a importância de levar o trabalho académico até junto das comunidades e promover um movimento recíproco, para criar “pontes”.

Alexandre Palma, vice-diretor da Faculdade de Teologia e diretor do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER) da UCP aludiu ao desafio, lançado pelo Papa, de “repensar” as Faculdades de Teologia, na relação com as comunidades cristãs e com as Universidades.

“O encontro estabelece-se com o movimento das duas partes. É necessário que as nossas comunidades olhem para a Teologia como um lugar importante de consolidação da sua própria missão no mundo”, referiu.

O investigador convidou as comunidades católicas a reconhecer a UCP como “um lugar de presença evangelizadora da Igreja na sociedade portuguesa, num terreno tão decisivo para o futuro como o da educação”.

Benjamin Akotia, decano da Faculdade de Teologia de Abidjan (Costa do Marfim), da Universidade Católica da África Ocidental, afirmou que o continente aprendeu a “Teologia da Europa e uma “resposta a Deus” formulada pela Ocidente.

“O desafio para a Teologia africana, hoje, é tornar-se africana”, apontou, não apenas pelas questões tratadas, mas ao “dar conta da fé, como africanos, em resposta à Palavra de Deus”.

“Caminhamos juntos, cada um à sua maneira”, acrescentou.

Fernando Soler, Universidade Católica Pontifícia do Chile, especialista no estudo dos Padres da Igreja, assumiu, por sua vez, que o contexto latino-americano “condiciona muito” as perguntas colocadas pelos teólogos, com a sua atenção aos mais pobres, como fica patente no pontificado do Papa Francisco, natural da Argentina.

A Teologia, precisou, tem um espaço “privilegiado” junto das comunidades, a partir das Universidades Católicas.

HM/OC

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