Setúbal, 05 abr 2018 (Ecclesia) – A catequista Maria Luísa Paiva Boléo, do Patriarcado de Lisboa, tem 76 anos de idade e há 63 anos que se dedica à catequese, uma experiência vivida com alegria, “semana a semana”.

“Temos a oportunidade de nos confrontarmos e confrontar a nossa fé com a daqueles que estão no início do percurso”, disse, esta quarta-feira, no final do segundo dia de trabalhos do Encontro Nacional de Catequese 2018.

Segundo o sítio online ‘Educris’, do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), Maria Luísa Paiva Boléo, falou sobre ‘A Alegria de ser Catequista’.

“Semana a semana aprofundarmos um aspeto da nossa fé, e isso é de uma enorme alegria porque nos leva a crescer constantemente. Nunca se chega ao fim e a consciência de que nunca se está formado”, desenvolveu, no encontro que decorre em Setúbal até esta sexta-feira.

Segundo Maria Luísa Paiva Boléo a “vocação” para ser catequista “não teve trombetas nem arcanjos com tenazes” mas vozes humanas, “muitas, de quem o Senhor se serviu para indicar o caminho”.

O primeiro chamamento, recordou, foi “através da voz da mãe” que lhe pediu que orientasse a “irmã mais nova e o primo nas sessões de catequese familiar”.

“De minha mãe recebi uma formação muito forte do noelismo, um movimento que aposta forte na formação e na inserção cristã no mundo”, explica Maria Luísa Boléo, acrescentando que o pai foi membro do Centro de Reflexão Cristã de Coimbra na altura da primeira república.

A catequista realçou a “fé bem enraizada em casa” onde teve “uma autêntica catequese familiar” da mãe, que seguia o método Quinet “com pequenos cadernos de atividades até aos dez anos”.

Em 1956, Maria Luísa Boléo foi “convidada para ser catequista na Paróquia de São João de Deus”, no Patriarcado de Lisboa, e participou no curso de iniciação, de 1959 a 1962, que “tem mais ou menos os mesmos conteúdos” do atual curso geral.

A primeira catequese paroquial de Maria Luísa Boléo seguia o catecismo de São Pio X.

A catequista integrou a equipa formadora do Secretariado Diocesano da Catequese de Lisboa onde participou no primeiro curso de formação realizado pelo Patriarcado em Sintra, em 1962, recordou também o trabalho no início do Centro Catequético de Fátima, dois anos depois, e a formação em Teologia, entre 1966 e 1968, em Toulouse, França.

A primeira experiência de Maria Luísa Boléo na Catequese de Adultos foi em Angola, “entre 1972 e 1974, numa paróquia da cidade de Luanda”.

“O papel dos leigos, na altura, era já muito estimulado e querido pela Igreja. Este curso era para adultos conscientes que queriam receber mais formação cristã”, assinalou.

Quando regressou a Lisboa, no ano da Revolução dos Cravos, já tinha a primeira filha, nasceram ainda mais dois, e começou “a tarefa de ser mãe” e o “despertar religioso e a catequese familiar”, até 1981, ano em que regressa à lecionação da EMRC.

O sítio ‘Educris’ contextualiza que o 57.º Encontro Nacional de Catequese, intitulado ‘Catequista, identidade e missão’, reúne em Setúbal cerca de 70 responsáveis do setor de todas as dioceses de Portugal.

A formação de catequistas: perspetivas atuais’ foi o tema apresentado hoje pelo presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, D. António Moiteiro, e D. José Ornelas, que acolhe o encontro na sua diocese, falou sobre ‘O discipulado no Novo testamento’, esta quarta-feira.

CB/OC

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