Papa apela a união contra violência, nacionalismos e racismo

Foto: Lusa/EPA

Roma, 25 jan 2023 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à união dos cristãos contra a “violência sacrílega” da guerra e todas as formas de “desprezo e racismo”, falando numa celebração ecuménica, em Roma.

“Devemos opor-nos à guerra, à violência e à injustiça onde quer que se insinuem”, disse, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.

Francisco presidiu à tradicional oração de vésperas da solenidade da Conversão do Apóstolo São Paulo, na conclusão da 56ª Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (18-25 de janeiro).

Na sua homilia, o Papa afirmou que Jesus rejeita “a violência cometida contra o templo de Deus que é o homem, enquanto é honrado nos templos construídos pelo homem”, num “ritual exterior”.

“Podemos imaginar com quanto sofrimento assistirá Ele a guerras e ações violentas empreendidas por quem se professa cristão”, acrescentou.

Citando a encíclica ‘Fratelli Tutti (2020), a intervenção questionou “aqueles que parecem sentir-se encorajados ou pelo menos autorizados pela sua fé a defender várias formas de nacionalismo fechado e violento, atitudes xenófobas, desprezo e até maus-tratos àqueles que são diferentes”.

Foto: Lusa/EPA

Francisco lamentou a tendência de “considerar abençoados por Deus os ricos e quantos faziam muitas ofertas, e desprezar os pobres”.

“Isto é compreender mal o Senhor, que proclama felizes os pobres e, na parábola do juízo final, se identifica com os famintos, os sedentos, os forasteiros, os necessitados, os doentes, os presos”, prosseguiu.

O tema da Semana de Oração de 2023 foi escolhido por um grupo de fiéis do Minesota (EUA), “conscientes das injustiças perpetradas no passado contra as populações indígenas e, nos nossos dias, contra os afro-americanos”.

“Não basta denunciar, é preciso também renunciar ao mal, passar do mal ao bem. Vemos assim que a advertência tem em vista a nossa mudança”, apelou o pontífice.

O Papa agradeceu aos cristãos de várias comunidades e tradições que acompanham “com participação e interesse, o percurso sinodal da Igreja Católica” (2021-2024), desejando que este processo “se torne cada vez mais ecuménico”.

A celebração contou com a participação de representantes de Igrejas e comunidades eclesiais presentes em Roma, além de uma delegação ucraniana.

Francisco saudou os vários responsáveis e cumprimento em particular os irmãos da comunidade ecuménica de Taizé, empenhados na preparação da Vigília ecuménica de oração (30 de setembro) que precederá a abertura da próxima sessão do Sínodo dos Bispos (4-29 de outubro).

“Caminhemos, todos juntos, pela via que o Senhor nos propôs: a da unidade”, concluiu.

OC

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