Paulo Rocha, Agência Ecclesia

Foto Agência ECCLESIA/MC

Os documentos publicados ao longo dos vários pontificados sobre temas de comunicação resultam em autênticos manuais úteis aos comunicadores, em cada época. Para além de marcados por referências a técnicas e ferramentas de cada tempo, as mensagens pontifícias apontam para potencialidades dos meios de comunicação social, com a particularidade de cuidar sempre não só da eficácia comunicativa, mas dos valores que a devem preencher.

Na mais recente mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada no dia 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, o Papa coloca a cordialidade no centro da comunicação e aponta a paz como a sua causa maior, sobretudo no contexto atual. E apela a dois valores que definem o jornalismo, ao longo da história: coragem e liberdade.

A coragem e a liberdade no jornalismo têm por referência, na mensagem do Papa, o percurso e a aposta na comunicação de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas e dos escritores. Foi Pio XI que assim o proclamou, há 100 anos, e hoje é apontado como um dos “exemplos mais luminosos” para jornalistas pelo Papa Francisco, que publicou uma carta apostólica para assinalar os 400 anos da morte do bispo de Genebra. O documento passou um pouco despercebido, por ter sido publicado no final do último ano (tantos foram os acontecimentos desses dia), mas interessa conhecer para saber quem foi este bispo de Genebra, “mente brilhante, escritor fecundo, teólogo de grande profundidade”.

O desafio de “Falar com o coração”, tema da mensagem do Papa para o próximo Dia Mundial das Comunicações sociais que se assinala em cada ano no Domingo da Ascensão, fundamenta-se nos valores que definiram a vida de São Francisco de Sales, nomeadamente a “mansidão, humanidade e predisposição a dialogar pacientemente com todos e de modo especial com quem se lhe opunha”. E esses valores são hoje propostos como inspiração para o jornalismo possa narrar “a verdade com coragem e liberdade, mas rejeitando a tentação de usar expressões sensacionalistas e agressivas”.

A promoção da coragem e da liberdade no jornalismo tem na opinião um meios particularmente relevante. Foi por essa causa que a Agência Ecclesia iniciou neste mês de janeiro a publicação de artigos de opinião de todas as dioceses de Portugal, de alguns secretariados da Conferência Episcopal Portuguesa e também dos que têm por autores os jornalistas da redação da Ecclesia. É uma forma de dar visibilidade à opinião que tem por origem as várias geografias de Portugal, as diferentes missões na Igreja Católica em Portugal e as sensibilidades temáticas de um grupo muito diversificado de autores.

Para a concretização deste projeto, tem sido fundamental a ajuda dos responsáveis pelo setor das comunicações sociais em cada diocese, no seguimento de um trabalho conjunto que tem sido possível incrementar progressivamente. Agradecemos reconhecidamente essa colaboração, assim como a disponibilidade de tantos envolvidos neste projeto para partilhar pontos de vista sobre causas comum, que se radicam no Evangelho. Obrigado!

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