Economista considera que o Papa Francisco «é provocativo, faz as pessoas pensar» e tem “um estilo muito gráfico»

Lisboa, 16 jan 2020 (Ecclesia) – O economista Luís Cabral explicou a um “economista com formação clássica” as propostas da “economia de Francisco” em quatro eixos temáticos.

“O objetivo é tentar mostrar que o problema se baseia numa caricatura, não tanto numa caracterização, fria, sóbria e justa, sobre o que os economistas escrevem como o que o Papa diz da Doutrina Social da Igreja”, afirmou o economista numa conferência na AESE Business School, em Lisboa.

Para. responsável pelo Departamento de Economia da NYU Stern em Nova Iorque, a teoria principal é que existem “questões de estilo, questões de ênfase” que se dão a certos aspetos da Doutrina Social da Igreja (DSI) mas “no que respeita aos fundamento não há nada de novo, essencialmente, e não há grandes diferenças entre europeus e americanos, entre economistas e não economistas”.

Segundo o professor universitário, a economia de Francisco “tem despertado” interesse em muitos meios, nomeadamente economistas e gestores de todo o mundo e é um tema “bastante polémico, nos Estados Unidos, por vezes, mal entendido”, que tem “gerado uma polarização não muito diferente da política americana”.

Luís Cabral começou por abordar na primeira ideia o “mercado como instrumento, mas não como um ideal, não como uma ideologia”, seguida do “problema do consumismo”, concretamente o “consumismo poder ser magnificado pela economia de mercado”, que “pode ser um catalisador do problema do consumismo”.

Depois disse que “o crescimento económico resolve o problema da pobreza”, assinalando que “não é nem condição necessária nem suficiente” e na sua opinião “o ponto mais quente da economia de Francisco”.

Na quarta ideia o professor de economia refletiu sobre o lucro que “não é nem o único, nem necessariamente a principal função ou objetivo da atividade empresarial”.

Luís Cabral assinalou que as “quatro ideias importantes” da economia de Francisco “não são ideias novas”, mas da Doutrina Social da Igreja.

“Ao longo da história, os economistas católicos e os economistas todos, mais ou menos, estão de acordo com os princípios da Doutrina Social da Igreja. O que temos ao longo deste século e meio é diferenças de estilo da forma de apresentar e diferenças de ênfase que é dado a cada um dos pontos”, explicou o economista que foi membro do grupo de conselheiros económicos do presidente da Comissão Europeia.

Segundo o orador, há uma “diferença de ênfase” e contextualizou que os últimos três Papas têm ênfases diferentes, que supõe ser “uma questão de experiência pessoal”.

“Diria que João Paulo II combate contra o comunismo, Bento XVI contra a ditadura do relativismo e Francisco combate contra a globalização da indiferença. Na realidade todos concordam com estas três ideias”, desenvolveu, referindo que se fala “tanto” do combate à globalização da indiferença “mas ainda há muitíssimo para fazer”.

Para Luís Cabral, a diferença é o resultado dos Papas “serem pessoas e que tiveram uma experiência de vida específica e são pessoas que estão colocadas num certo momento da história”, o Papa argentino “é provocativo” e faz as pessoas pensar, “o que em si já é uma coisa boa”, e tem “um estilo muito gráfico”.

No dia 11 maio de 2019, o Papa convocou “jovens economistas, empresários e empresárias de todo o mundo” para o encontro ‘A economia de Francisco’, a que “faz viver e não mata”, nos dias 26, 27 e 28 de março deste ano, na cidade italiana de Assis.

TAM/CB/PR

 

 

Portugal: Estudantes, empresários e gestores promovem a semana da «economia de Francisco» (c/vídeo)

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