Prémio Nobel da Paz defendeu aposta na luta contra o desemprego, o aquecimento global e a concentração da riqueza

Lisboa, 20 nov 2020 (Ecclesia) – Muhammad Yunus (Bangladesh), prémio Nobel da Paz em 2006, disse hoje aos participantes na conferência global ‘A Economia de Francisco’, convocada pelo Papa, que é preciso questionar o atual sistema que gera “morte” e desigualdade.

““Quando falamos em prosperidade, falamos na prosperidade de quem? De 1% da população mundial?”, perguntou economista e banqueiro, considerado o pai do microcrédito.

Yunus conversou com jovens de 120 países, incluindo Portugal, sobre o tema ‘Finanças e Humanidade: um caminho rumo a uma ecologia integral’, numa intervenção com transmissão através do YouTube.

O especialista sustentou que as finanças seguiram numa “direção errada”, tornando-se um instrumento para a “concentração da riqueza”.

O responsável, natural do Bangladesh, lamentou que, mesmo perante a pandemia, as grandes empresas não façam qualquer “concessão”, dando como exemplo o negócios das vacinas contra a Covid-19.

“Finanças e Humanidade” foi um dos 12 temas trabalhados nos últimos meses pelos mais de 2 mil participantes na ‘Economia de Francisco’, que reuniu empresários, empreendedores, economistas e estudantes.

Muhammad Yunus convidou a superar a orientação para a “maximização” do lucro e deixou críticas a um sistema capitalista para o qual “o ser humano como alguém que é movido pelo seu interesse próprio”.

O prémio Nobel da Paz defendeu a recuperação do papel central do “interesse coletivo” e uma economia social, que visa “resolver os problemas dos outros” e oferecer um serviço às pessoas mais pobres, como acontece com o microcrédito.

O convidado reforçou o seu apelo a uma transformação da sociedade a partir da receita dos “três zeros”, para criar um mundo sem emissões de carbono, sem disparidade na distribuição da riqueza e sem desemprego.

Yunus criticou o papel dos reguladores e exigiu que a banca deixe de financiar investimentos em combustíveis fósseis.

“Vamos deixar os bancos, as empresas destruir o nosso planeta?”, perguntou.

Os trabalhos desta tarde incluíram, entre as suas conferências, um debate sobre “Responsabilidade socioecológica: olhar global, ações territoriais”, com a presença de Leonardo Boff, antigo religioso franciscano que hoje se apresenta como “ecoteólogo”, e do padre Vilson Groh, sacerdote católico que trabalha com os pobres da favela de Florianópolis, no sul do Brasil

O segundo dia da ‘Economia de Francisco’ contou com uma leitura coletiva da nova encíclica ‘Fratelli Tutti’, encerrando-se com uma “maratona” que dá voz a jovens participantes de 20 países (Portugal, Reino Unido, Brasil, Argentina, Estados Unidos, Chile, Peru, Colômbia, México, Filipinas, Coreia do Sul, Índia, Sri Lanka, Ucrânia, Croácia, Nigéria, Camarões, Costa do Marfim, Espanha e Itália) para que eles apresentem os seus territórios, culturas, experiências, projetos locais e apelos.

Associando-se a esta iniciativa, a imagem do Cristo Rei, no Rio de Janeiro (Brasil), vai ser hoje iluminada com as cores da ‘Economia de Francisco’: verde, castanho e amarelo.

O programa conta com várias intervenções musicais e teve hoje como convidado Cristóvam, desde a ilha Terceira (Açores), o intérprete da canção viral ‘Andrà Tutto Bene’, que apresentou o seu tema ‘Greater Things’.

OC

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