«O tráfico de pessoas não deve ter lugar na família humana» – D. Ivan Jurkovič

Foto: UNICEF

Genebra, Suíça, 03 jul 2020 (Ecclesia) – O observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas partilhou hoje a “preocupação” com o “crescente tráfico” de recém-nascidos e de mulheres como barrigas de aluguer, falando na 44.ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

“Embora algumas formas de tráfico de seres humanos sejam bem conhecidas, esta delegação também deseja expressar a sua preocupação com o crescente tráfico de bebés recém-nascidos e de mulheres que servem como mães de aluguer”, alertou o arcebispo D. Ivan Jurkovič, no contexto do relatório sobre o tráfico de pessoas, especialmente mulheres e crianças, entregue hoje em Genebra.

Numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA, o observador permanente da Santa Sé assinala que o tráfico de seres humanos “é um flagelo” que “nega a própria dignidade da vítima”, tratando-a apenas como uma mercadoria a ser comercializada e “explorada com fins lucrativos”, num dos exemplos mais dramáticos de uma “cultura descartável” que o Papa Francisco denunciou repetidamente.

D. Ivan Jurkovič defendeu uma “abordagem concertada universal” para “erradicar” o crime do tráfico de seres humanos para sempre, porque “é tipicamente liderado por redes criminosas organizadas”, que atuam dentro e fora das fronteiras, “envolvendo crianças, mulheres e homens em todo o mundo”.

“Devemos isto às vítimas passadas e presentes, para evitar mais vítimas no futuro”, acrescentou a delegação da Santa Sé que destacou “o incansável trabalho”, muitas vezes arriscado e repleto de desafios, de organizações religiosas ativas ao nível comunitário e “há muito tempo na linha de frente para combater o tráfico de pessoas”.

“As organizações religiosas dedicam seu trabalho à prevenção, resgate e reabilitação vítimas, ajudando-os na sua reintegração gradual na sociedade e fornecendo informações psicológicas e assistência espiritual”, acrescentou.

O observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Genebra concluiu alertando para a importância de “aumentar a consciencialização” no lado da procura para além da aplicação da lei e acusação de traficantes, “que fornecem a oferta do tráfico de pessoas”.

“Se homens, mulheres e crianças são traficados, isso ocorre porque existe uma grande procura que torna sua exploração lucrativa. Aqueles que geram essa procura, assim como quem os apoia, também partilham responsabilidade nessas empresas criminosas deploráveis”, acrescentou.

D. Ivan Jurkovič sustentou também que, para além do combate aos traficantes de seres humanos, “entre as principais prioridades” deve estar auxiliar a reintegração das vítimas na sociedade.

“O tráfico de pessoas não deve ter lugar na família humana. Apesar dos progressos substanciais para erradicar esse flagelo por meio de várias iniciativas, os números continuam a pintar um quadro sombrio para as vítimas”, assinalou na 44.ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos.

O observador permanente da Santa Sé observou que a “ferida aberta no corpo da humanidade contemporânea”, nos últimos meses aproveitou também “situações de emergência” causadas pela pandemia de Covid-19”, para além do aproveitando dos “conflitos, pobreza, corrupção, falta de educação e oportunidades”.

CB/OC

 

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