72% das vítimas são mulheres e meninas

Lisboa, 30 jul 2019 (Ecclesia) – A Igreja Católica, através de várias associações religiosas e de solidariedade, associa-se hoje ao Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, promovido pela ONU.

“Rezemos para que o Senhor liberte as vítimas do tráfico e nos ajude a responder ativamente ao grito de ajuda de tantos irmãos e irmãs privados da sua dignidade e liberdade”, escreveu o Papa, na sua conta ‘@pontifex’, no Twitter, numa mensagem acompanhada pela hashtag #EndHumanTrafficking

O tema tem estado no centro das preocupações do Papa Francisco, que o considera um “crime contra a humanidade” e uma “violação injustificável da liberdade e dignidade das vítimas”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, refere na sua mensagem para o Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas 2019 que este é “um crime hediondo que afeta todas as regiões do mundo”

Cerca de 72% das vítimas detetadas são mulheres e meninas, e a percentagem de vítimas infantis mais do que dobrou de 2004 a 2016, segundo o UNODC, organismo das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

“As vítimas mais detetadas são traficadas para exploração sexual; as vítimas também são traficadas para trabalhos forçados, recrutamento como crianças-soldados e outras formas de exploração e abuso”, assinala Guterres.

O presidente da confederação internacional da Cáritas, cardeal Luis Antonio Tagle, recorreu às redes sociais para deixar uma mensagem em defesa das vítimas e contra qualquer exploração de pessoas vulneráveis.

“Renovamos o nosso compromisso de combater este crime e ajudar os sobreviventes na sua recuperação. Eles precisam da nossa solidariedade e de soluções eficazes”, assinala a mensagem divulgada pela ‘Caritas Internationalis’.

Já o secretário-geral da organização católica, Aloysius John, convida a questionar as causas desta “injustiça” e os motivos que levam tantas pessoas a “deixar a sua terra natal, as suas casas e famílias para seguir um caminho desconhecido”.

“É aqui que eles são vítimas dos traficantes humanos sem escrúpulos”, adverte.

Segundo a Cáritas, é necessário introduzir medidas preventivas, ajudar as vítimas e garantir vias legais e seguras para a migração.

Em causa, assinala a organização, estão situações de exploração sexual comercial, exploração económica forçada no trabalho doméstico e na agricultura.

A Cáritas quer incentivar empresas e indivíduos a investigar as cadeias de fornecimento dos produtos que compram, para evitar qualquer forma de “trabalho forçado”.

Em janeiro, o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, do Vaticano, divulgou as suas Diretrizes Pastorais sobre o Tráfico Humano, nas quais alerta para os perigos crescentes do “contrabando de migrantes” e pede uma ação concertada, a nível internacional, na defesa das vítimas.

“O contrabando de migrantes conduz com frequência ao crime do tráfico de seres humanos. Muitos adultos, ao procurarem escapar à guerra ou aos desastres naturais, acabam por se tornar vítimas do tráfico ou por ser forçados à escravidão”, adverte a secção ‘Migrantes e Refugiados’ do dicastério criado pelo Papa Francisco.

O novo “manual” para as comunidades católicas e instituições religiosas adverte para a linha “cada vez mais ténue” que separa o contrabando de migrantes e o tráfico humano.

A sede da ONU, em Nova Iorque, acolhe uma exposição sobre o trabalho de congregações religiosas femininas no combate ao tráfico de pessoas.

A iniciativa contou com uma conferência da coordenadora da Rede internacional ‘Talitha Kum’, a irmã Gabriella Bottani, que este ano recebeu o prémio ‘Heróis contra o tráfico de pessoas’, num evento presidido pelo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, em Washington, nos Estados Unidos da América.

OC

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