Vice-presidente dos «Animadores Missionários Ad Gentes» destaca importância de ir ao encontro do outro com o coração, independentemente da geografia

Foto: Agência ECCLESIA/PR

Lisboa, 17 out 2020 (Ecclesia) – A irmã Joana Ribeiro, da Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, considera que a Missão “não tem programas, tem pessoas”.

Numa entrevista a respeito do Dia Mundial das Missões, que se celebra este domingo, a religiosa disse à Agência ECCLESIA que, mais do que latitude e longitude, a missão “é coração e encontro real”.

A também vice-presidente dos ANIMAG (Animadores Missionários Ad Gentes) passou quatro anos em Timor-Leste, como leiga, tendo depois “a caminhada de formação e preparação” para a Vida Consagrada.

Atualmente em Portugal, a irmã Joana Ribeiro confessa “muita vontade” de voltar para Timor e justifica: “Os sítios onde estamos em missão ficam a fazer parte de nós, aquela terra, aquela língua e aquele povo”.

Os desafios dos missionários, segundo a religiosa, “nunca estão terminados”, visto que “a missão é sempre novidade”, mas é preciso “ler a realidade e escutar muito e depois caminharmos juntos”.

“A Missão é fazer-se e construir-se”, precisa.

A entrevistada considera que os missionários “são cidadãos do mundo”, pelo que a “capacidade de abertura e acolhimento do diferente” são aspetos fundamentais na preparação para a vida missionária.

“Um desprendimento e um estar com os pés bem assentes na terra para ser enviada como um todo” porque “a missão é identidade em prática”, sublinha a vice-presidente dos ANIMAG.

Mais do que os conhecimentos adquiridos através dos livros – “que também são muito importantes” –, a irmã Joana Ribeiro defende que a “aprendizagem através da escuta é essencial”, porque um missionário está “no local para dar e receber”.

“Eu queria muito conhecer o espaço e a história e isso demonstra a vontade de ir e de pertencer”, salienta.

Na sua congregação, a irmã Joana Ribeiro é também responsável pela Pastoral Juvenil e o que mais valoriza é a “criação de espaços” e fazer os jovens “experimentar” a novidade.

Mais do que “falar muito”, é essencial a descoberta “com as mãos na massa”, acrescenta.

A geografia da Missão é o espaço “do verdadeiro encontro onde se olha e escuta”, todavia – lamenta a religiosa – “perdem-se tantas oportunidades de encontro e de conhecer o outro”.

“O outro é o mundo completamente diferente de mim” porque “tem um rosto”, realça.

Em pleno século XXI, a Missão tem novos caminhos e o diálogo inter-religioso é uma “nova estrada que se está a abrir” neste campo.

“Hoje, mais do que nunca devemos abrir as mãos e se tal acontecer a missão vai sair enriquecida”, completou.

A Igreja Católica celebra o Dia Mundial da Missões 2020 a 18 de outubro e o tema vai estar em destaque nos programas ‘Ecclesia’, na Antena 1 da rádio pública (06h00), e no ‘70×7’, às 17h45 na RTP2, neste domingo.

PR/LFS/OC

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