«Somos aqueles que o Senhor escolheu», afirmou D. Nuno Brás, perante os padres, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Funchal, Madeira, 12 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal presidiu esta manhã, na igreja Paroquial de São Martinho, naquela diocese, à Missa no Dia do Clero, destacando a heterogeneidade que define os sacerdotes que compõem aquela diocese.
“Queridos padres, à imagem da Diocese que servimos, somos, também nós, um magnífico mosaico, feito de diversidade — seja naquilo que aparece ao mundo, seja naquilo que vivemos interiormente”, afirmou D. Nuno Brás, na homilia enviada à Agência ECCLESIA, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus.
Lembrando o discurso do Papa aos bispos espanhóis, na segunda-feira, o bispo defendeu que se o presbitério do Funchal perdesse a pluralidade que desde sempre o caracteriza, perderia também a capacidade de manifestar a beleza única do Salvador.
Somos todos tão diferentes! Mas essas diferenças de nada importam, antes constituem riqueza se convergirem na manifestação da beleza, do amor de Cristo, único salvador nosso e do mundo”, reforçou.
No início da intervenção, o bispo lançou uma série de questões relacionadas com as motivações que sacerdotes a continuar com a missão e o que é que os move hoje, depois de terem passado meses, anos — ou muitos anos — da ordenação sacerdotal.
“Na nossa Diocese do Funchal, que hoje completa a bonita idade de 512 anos, somos 96 paróquias e 49 párocos; 63 sacerdotes do clero diocesano e 21 sacerdotes do clero religioso (dos quais vários em idade muito avançada)”, indicou.
D. Nuno Brás salientou que todos estão “ao serviço dos 255 mil habitantes das duas ilhas e dos 50 mil turistas” que visitam o Funchal, em média semanal, ao longo de todo o ano.
O bispo descreveu esta como uma “tarefa parece hercúlea, perante as quase 4000 pessoas ao cuidado de cada sacerdote”, incluindo nesta média todos os presbíteros, mesmo os mais idosos e doentes, e sem incluir nela os emigrantes.
“Que motivações temos nós para sermos padres, hoje, neste nosso mundo, sempre à espera que o padre caia num qualquer erro — que diga uma palavra menos bem pensada, que deixe aparecer o cansaço, que tenha uma atitude menos evangélica… à espera, para lhe apontar o dedo nas redes sociais ou nos meios de comunicação, ou no simples ‘diz que diz’… à espera para o ofender e vilipendiar, raramente para lhe agradecer ou elogiar?”, questionou.
Partindo da leitura de Moisés ao povo de Israel, D. Nuno Brás refletiu sobre a população que compõe as comunidades e sobre aqueles que sacerdotes têm obrigação de evangelizar, sendo este um núcleo “bem mais numeroso”.
“Nele é possível encontrar sábios e ignorantes, ricos e pobres, famosos e desconhecidos, santos e pecadores”, indicou, descrevendo “um verdadeiro mosaico vivo, construído com pedras dos mais variados tamanhos e cores”.
Olhando para nós, presbitério desta nossa Diocese, e com toda a sinceridade, conhecendo o que somos interiormente (o nosso pecado e as nossas virtudes) e o que somos como presbitério (as nossas fraquezas e os nossos pontos fortes), devemos igualmente reconhecer: não somos os melhores. Mas somos aqueles que o Senhor escolheu. Disso não nos é, sequer, permitido duvidar: somos aqueles que o Senhor escolheu”, sublinhou o bispo.
Na celebração eucarística, D. Nuno Brás evidenciou também que Deus não escolheu sacerdotes para os castigar, mas porque os ama.
“E nós deixámo-nos vencer pelo Seu Amor. Vivemos apaixonados com o Seu Amor e com o Amor que Ele tem ao Seu povo, a esta humanidade que Ele criou e quer redimir”, desenvolveu.
Dizendo de outro modo, o bispo diocesano referiu que a lógica do ministério sacerdotal está bem longe de uma lógica de “recrutamento dos quadros” de uma empresa ou de qualquer outra instituição deste mundo.
Na tradição da Igreja Católica, a Solenidade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, este ano celebrada no dia 12 junho, está associada à santificação dos sacerdotes.
Na Nota Pastoral ‘Sacerdotes de Humanidade’, que assinala a data, a Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM), da Igreja Católica em Portugal, convidou a rezar pelos padres, “mas especialmente pela sua humanidade”.
LJ/OC
