Paróquia do Campo Grande promoveu debate sobre a importância de proteger o planeta

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 22 abr 2022 (Ecclesia) – A paróquia do Campo Grande, no patriarcado de Lisboa, através dos Focos de conversão ecológica organizou uma tertúlia que abordou a encíclica’ Laudato Si’ como “um desafio lançado à Igreja e ao mundo”.

“A Igreja é que lançou este desafio, a Laudato Si é iniciativa do Papa Francisco e a mim entusiasma-me muito, porque não é o Papa a dizer umas coisas beatas mas um Papa que se rodeou, certamente, de pessoas que sabem destes assuntos, acolheu esse pensamento e preocupações e transformou num desafio que é dado à Igreja mas que lança a todo o mundo”, referiu o padre Hugo Gonçalves, pároco do Campo Grande.

O sacerdote sente que “há uma urgência” e uma “responsabilidade” da Igreja ir além e “valorizar a ecologia integral” e refere uma preocupação perante “a cultura do descarte” que se alarga “do consumismo feroz à realidade das pessoas”.

“O desafio de não deixar aqui fechado, tem de haver reflexão mas depois transitar para a comunidade cristã, os desafios práticos que são lançados porque muitas vezes não chega às pessoas, num contexto mais prático a que leve as pessoas a mudar os comportamentos”, indica.

Numa preocupação apontada ao futuro, o padre Hugo Gonçalves deu o exemplo da Jornada Mundial da Juventude, na edição de Lisboa 2023, “estar atenta à pegada ecológica” e ter “um departamento de sustentabilidade mostra a consciência dessa necessidade”.

A tertúlia teve como convidados Francisco Ferreira – Presidente da Associação Zero e Carmen Lima, ambientalista e autora do livro “Não há Planeta B: dicas e truques para um ambiente sustentável”, numa moderação de Pedro Franco, membro da Associação Casa Velha.

Francisco Ferreira apontou a pandemia e as mudanças de hábito, na questão da proximidade, apontando à sustentabilidade.

“Ir à mercearia do bairro, ter produtos dos que estavam mais próximos, o apoio era mais próximo e isso tem a ver com sustentabilidade, foi a oportunidade de mudar o paradigma para a suficiência, sem desperdiçar, não consumir mais do que necessitamos, é muito difícil de encaixarmos”, assegura.

O responsável considera que o “desafio é conseguir consumir menos, mas melhor”, e que isso precisa de “dicas, aprendizagem e habituação”, como disse na tertúlia, esta quarta-feira.

Já Carmen Lima, ambientalista e autora do livro “Não há Planeta B: dicas e truques para um ambiente sustentável”, referiu que integrou o movimento escutista onde ouviu pela primeira vez o termo “ecologia”.

“Os princípios ecologistas que recebi foi nos escuteiros, o próprio termo e a relação entre seres humanos e planeta foi ali que ouvi”, contou.

Carmen Lima defende que o questão ambiental e de defesa do planeta “não pode ser só de academia” mas um “assunto global e transversal”.

“O Papa foi um visionário em pegar nesse assunto, tem de ser um assunto muito mais do que da academia ou do ministério do ambiente mas tem de ser um assunto global, transversal, da sociedade e de todos nós”, refere.

A ambientalista indica ainda que a sociedade precisa de “reaprender e reaplicar hábitos” que se foram perdendo, como por exemplo os sacos de pano.

SN

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