Movimento Fé e Luz organiza magusto para angariar fundos e divulgar trabalho realizado em Portugal

A secção do Porto do Movimento Fé e Luz realiza este Domingo um magusto na igreja da Pasteleira (Nossa Senhora da Ajuda), para angariar fundos e divulgar o trabalho daquela organização da Igreja Católica.

Os lucros, destinados a financiar as peregrinações que assinalam o 40.º aniversário da instituição dedicada aos portadores de deficiência mental, incluindo familiares e amigos, vão ser encaminhados para a delegação portuguesa e também para países pobres.

“Interessa-nos sobretudo falar da alegria que se vive em “Fé e Luz”, da importância que tem a vida em pequena comunidade, em que as pessoas se conhecem pelo nome, se entreajudam e aprofundam as questões que estão a viver”, explicou à Agência ECCLESIA a coordenadora do Movimento em Portugal, Alice Cabral.

Os membros deste organismo encontram-se mensalmente em grupos formados nas dioceses de Lisboa, Porto, Évora e Braga, para partilhar as experiências, rezar e festejar.

“Quando alguém de fora vê pessoas com deficiência, pensa que essa vida é algo pesada. Para nós, que estamos dentro, é sempre um momento de festa e de oração”, frisou a responsável.

Alice Cabral recorda um episódio que revela a forma como as relações humanas das pessoas com deficiência mental são marcadas pela autenticidade e transparência.

“Fui a casa de uma família que tem uma rapariga com deficiência mental não muito profunda. Ela deu-me um beijinho, ficou contente por me ver, e depois desapareceu. De repente, volta com um ‘post-it’ onde tinha escrito ‘Gosto muito de ti’. É um sentimento que a maior parte das pessoas não é capaz de exprimir. E é nisto que eles são nossos mestres”.

A dificuldade, ou mesmo a incapacidade de expressão oral e escrita, também estimula a procura de outras formas de manifestar a fé.

Os momentos de oração, em que se recorre à mímica para traduzir as leituras bíblicas, “são muito enriquecidos com o que é dito pelas pessoas com deficiência mental. Eles têm mais dificuldade na linguagem falada, pelo que vão ao essencial”.

“A comunicação passa para além da linguagem, e no caso da expressão da fé não sei quem é mais pobre – se nós ou eles”, refere Alice Cabral, de 63 anos, mãe de uma criança com deficiência profunda.

Mesmo dentro da Igreja Católica não tem sido fácil acolher a diferença, como assinala a responsável, que chegou a ser aconselhada a não levar o filho para a missa devido à ‘perturbação’ que ele provocava durante as celebrações.

As peregrinações que comemoram o 40.º aniversário do Movimento Fé e Luz enquadram-se no tema “Mensageiros da Alegria”, uma expressão que, segundo Alice Cabral, é reveladora da experiência vivida com os deficientes mentais.

“A pessoa que tem deficiência é vista como alguém que não pode ser bem sucedida, que não é interessante do ponto de vista social por não ser capaz de produzir coisas fantásticas, mas ainda assim é uma mensageira da alegria”, sublinha a responsável, que não esconde os sofrimentos vividos pelos doentes e respectivas famílias.

A deslocação do Movimento Fé e Luz de Portugal ao santuário de Lourdes, em França, na Páscoa de 2011, assim como as peregrinações organizadas noutros países, vão ser um testemunho público do valor das pessoas com deficiência mental, num tempo em que muitos pais encaram seriamente a possibilidade de optar pela interrupção voluntária da gravidez quando os diagnósticos pré-natal detectam a presença de anomalias graves.

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