VI ciclo do órgão quer democratizar a música e colocar instrumento de tubos em diálogo com a sociedade

Foto: Câmara Municipal de Torres Vedras

Lisboa, 16 nov 2021 (Ecclesia) – A igreja da Misericórdia, em Torres Vedras, acolhe~o VI Ciclo de órgão, oferecendo, a cada quinta-feira de novembro, um concerto ‘À la carte’, onde o público escolhe o que ouvir.

“O público tem acesso a uma ementa, com vários temas e peças musicais, que podem ser escolhidas, e, no fundo, constrói-se, naquele momento, o concerto que se quer ouvir. Nunca se sabe como vai ser o encadeamento porque é sempre uma surpresa”, disse à Agência ECCLESIA o diretor artístico do ciclo, Daniel Oliveira.

Nos concertos podem escutar-se desde os temas mais clássicos tocados num órgão, de compositores como Mozart ou Schubert, a temas de filmes realizados pela Disney ou do compositor italiano Ennio Morricone, de Elton John ou John Williams.

“O objetivo é as pessoas contatarem com a sonoridade do instrumento, desmistificar que o órgão serve apenas para acompanhar cânticos na missa mas também para dialogar com outras correntes musicais; aproveitamos as referências comerciais para surpreender as pessoas com a sonoridade num órgão de tubos”, realça o entrevistado.

Versatilidade e proximidade, em concertos de 15 minutos no centro da cidade de Torres Vedras, tornam estes momentos “familiares, descontraídos” e procuram “democratizar” a música.

A cada quinta-feira, às 13h15, juntam-se cerca de 40 a 50 pessoas que, de forma gratuita, acedem a uma “cultura que não se quer de elite mas de massas”, reforça Daniel Oliveira.

“Cria-se um formato familiar e acolhedor, sente-se um calor humano no próprio concerto, num clima mais informal que torna apetecível a participação de um público diversificado. As pessoas sentem-se muito bem ali e pedem para estender esta oferta aos meses seguintes”, sublinha.

Para além dos concertos ‘À la carte’, o VI Ciclo de órgão de Torres Vedras vai apresentar outros momentos, a partir do dia 21 de novembro.

‘Paisagens do barroco e do clássico na música para órgão e oboé’ vai juntar Daniel Oliveira no órgão e o oboísta Luís Marques, músico na Orquestra Sinfónica Portuguesa, numa homenagem a Santa Cecília, padroeira dos músicos.

“O oboé e o órgão dialogam há muitos séculos na igreja e vamos procurar paisagens do barroco e do classicismo com música de Bach, Mozart, Albinoni, tocados num órgão de 1773, onde todo este reportório ganha uma sonoridade especial”, assinala o diretor artístico, salientando “a estética sonora entre os dois instrumentos”.

No dia 19 de dezembro vai decorrer o concerto ‘Um Natal pelo mundo’, da responsabilidade dos alunos do Conservatório de Música de Torres Vedras, “jovens músicos que se vão apresentar com os seus instrumentos, alguns pequenos organistas, e o coro de crianças do Conservatório”, naquele que, assegura, será um “momento bonito oferecido pelas crianças e jovens”.

A 30 de janeiro vai ter lugar o concerto ‘Maria Mater Gratie’, com o organista Angél Hortas, titular da Catedral de Jerez de la Frontera, em Espanha, que se vai juntar ao grupo ‘Capella Vocale Magnificat’, num concerto dedicado a Nossa Senhora e a todas as mulheres e mães, explica Daniel Oliveira.

“Depois do terceiro concerto, haverá outras ações de sensibilização sobre o órgão junto de escolas de Torres Vedras e um concurso a nível nacional, a realizar na igreja da Misericórdia”, conclui.

O VI ciclo de órgão de Torres Vedras resulta de uma organização conjunta da Santa Casa da Misericórdia e da autarquia da cidade.

Os concertos são gratuitos, têm início marcado para as 16h00 e são emitidos online, na página do Facebook e no canal do Youtube da autarquia de Torres Vedras.

LS

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