Projeto integrado na paróquia da Parede, no patriarcado de Lisboa, “não fecha a porta a ninguém” 

Foto: AE/SN – Ensaio do GTMR

Lisboa, 26 mar 2020 (Ecclesia) – O Grupo de Teatro Musical Religioso, sediado na paróquia da Parede, no Patriarcado de Lisboa, aposta no encontro em família e inclusão, como formas de “evangelizar através da arte”. 

“O teatro musical tem essa riqueza, tem lugar para toda a gente, não fechamos a porta a ninguém, se não sabe dançar sabe cantar, se não sabe cantar, pode ajudar na parte técnica… É a inclusão em todos os sentidos, já aqui passaram muitos tipos de pessoas, católicos e até muçulmanos, desde que se identifiquem com este projeto, evangelizar através das artes, a porta está aberta”, explica Tiago Sepúlveda à Agência ECCLESIA.

O artista e professor da área de canto aproveitou uma paragem na sua carreira, em 2013, e fundou este grupo no ano em que o Centro Comunitário da Parede assinalava 25 anos de existência e foi o primeiro musical levado a palco.

“Primeiro começar de raiz era uma dificuldade de ter membros mas acabou por ser força do projeto, comecei a meter a minha família toda, pus os meus quatro filhos e depois uns amigos dizem a outros amigos e familiares e nasceu com este enquadramento familiar”, explica.

Em circunstâncias normais o Grupo de Teatro Musical Religioso (GTMR) reúne-se a cada segunda-feira para o ensaio “que começa em roda e com uma pequena oração”, um momento para todos acalmarem, principalmente os “mais novos que vêm agitados de dias muito cheios”.

O salão onde ensaiam enche-se de vida, com várias gerações e onde a aprendizagem vai desde o canto, ao teatro e interpretação, numa descoberta de fé que, por vezes, é desconhecida.

Foto: AE/SN – Igreja Paroquial da Parede

Inês Moreira é bióloga, entrou no grupo através da sua filha que “tem uma paixão pelo teatro” e esteve no musical “Lúcia”, ela acompanhou e foi aprendendo tanto sobre a vida da vidente de Fátima que lhe foi “fazendo sentido também na sua caminhada de fé”.

“Ela começou a dizer que isto é tão giro,e na verdade tem sido ótimo e vamos as duas para casa ensaiar as cenas”, conta.

Já a filha, Margarida Carvalho de 11 anos, descobriu uma nova faceta da mãe.

“Tem sido giro, a mãe manda-nos calar quando estamos a faladores e tem sido muito engraçado ver a mãe a fazer as peças”, conta à Agência ECCLESIA.

Salvador Salazar Leite é bancário, nunca se imaginou a fazer teatro, estava entusiasmado por ser o seu primeiro ensaio, foi arrastado pela filha e percebe que ali vai ter “tempo de qualidade”.

“A expectativa que tenho é divertir-me e acompanhar a minha filha nesta fase da vida, são muito filhos e é bom estar com cada um, esta é uma maneira de fazermos uma coisa em conjunto os dois”, refere.

Maria Almeida é estudante de Teatro, integrou o grupo depois de fazer um ATL de verão e ter experimentado o “ambiente familiar” que se vive, além disso considera que ali consegue “entender melhor os outros”.

“Estar aqui é muito casa, não é só fazer teatro, nem sempre há a possibilidade das pessoas nos fazerem sentir num ambiente tão familiar, e este sítio é mesmo casa, não tenho outra palavra para descrever”, afirma.

O GTMR tem-se expandido e conta agora com outro grupo na paróquia de São Julião da Barra, no patriarcado de Lisboa, onde pertence Inês Garção, operadora de turismo.

“Vim acompanhar a minha filha, ela fez parte do musical Lúcia (em cena em 2019), e agora estou eu, a minha filha e o meu filho”, constata.

“Jardim do Éden”, “O Astrónomo” e “Lúcia” foram musicais levados a palco por este grupo que prepara agora o musical “Fogo no Coração”, ainda sem data de estreia.

Com o atual isolamento social, devido à pandemia do Covid-19, o grupo suspendeu os seus ensaios e tem feito pequenos desafios através das suas redes sociais.

A reportagem no Grupo de Teatro Musical Religioso pode ser ouvida no programa de rádio ECCLESIA na Antena 1 da rádio pública, no próximo domingo, pelas 06h00, que evoca o dia mundial do Teatro, assinalado esta sexta-feira, ficando depois disponível em agencia.ecclesia.pt.

SN

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