Padre Carlos Cabecinhas incentivou ao cuidado, atenção e acolhimento do outro que está doente, o outro que é migrante

Foto: Santuário de Fátima

Fátima, 23 nov 2020 (Ecclesia) – O reitor do Santuário de Fátima alertou este domingo para “o risco de estigmatizar os doentes” nestes tempos de pandemia Covid-19 explicando que para os “cristãos são sempre presença real de Jesus Cristo”.

“O facto de muitos dos doentes de Covid-19 serem assintomáticos, a insistência no distanciamento físico em relação àqueles com quem contactamos ou nos cruzamos, a facilidade de transmissão do vírus, tudo isto nos leva a olhar para os outros com desconfiança, a ter medo uns dos outros”, disse o padre Carlos Cabecinhas, na Eucaristia a que presidiu na Basílica da Santíssima Trindade.

Na homilia da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do universo, o reitor do santuário mariano alertou para que se corre “o risco de estigmatizar os doentes, encarando-os mais como ameaça do que como doentes, que efetivamente são”, a necessitar de cuidados e de todo o apoio.

“A atitude responsável a que somos convidados, de forma muito especial nestes tempos de pandemia, não pode ser confundida com qualquer forma de estigmatização dos outros que, para nós, cristãos, são sempre presença real de Jesus Cristo”, acrescentou, numa intervenção divulgada pela sala de imprensa do Santuário de Fátima.

O padre Carlos Cabecinhas frisou que, nestes tempos difíceis, “em que tantas pessoas se vêm a braços com enormes dificuldades”, não podem “ficar indiferentes, pois eles são presença de Jesus Cristo: “O bem que lhes fizermos ou deixarmos de fazer, é a Cristo que o fazemos ou deixamos de fazer”.

No último domingo do ano litúrgico, quando a Igreja Católica celebra a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do universo, o reitor do Santuário de Fátima explicou que “é uma realeza que toca os corações e que, em vez de produzir domínio ou opressão, conduz à plenitude da vida, através da entrega a Deus e aos outros”.

“Invocamos Cristo como Rei mas temos consciência que este termo leva a equívocos, pois associamos a figura de ‘rei’ ao poder, ao domínio à riqueza e, quando falamos da realeza de Cristo não é disso que se trata, a realidade é outra”, observou o sacerdote.

O reitor do Santuário de Fátima assinalou que celebrar Jesus como rei “significa acolher a Sua presença” naqueles com quem se encontra, referindo que no final “é só isso que conta” mas “não se trata de algo que só interessa no final da vida ou no fim dos tempos, é o critério de discernimento para a vida do dia-a-dia”.

A partir da parábola do Evangelho, o padre Carlos Cabecinhas indicou os “outros” enquanto “sacramento da presença real de Jesus Cristo” e referiu que “ninguém pode ser estranho, sobretudo se precisa de ajuda” e, nestes tempos, “é fundamental repetir isto até à exaustão”.

“Nas manifestações de racismo que surgem aqui ou ali, nas posições de xenofobia ou na simples resistência ao acolhimento de imigrantes e refugiados, o outro é sempre olhado com desconfiança e visto como ameaça e não há nada mais contrário ao Evangelho”, afirmou.

“O outro não é o inimigo, é a presença real de Jesus Cristo”, disse o reitor do Santuário de Fátima, este domingo, na Eucaristia na Basílica da Santíssima Trindade, lê-se no sítio online do santuário mariano.

CB/OC

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