Centros paroquiais apoiaram população idosa, assustada com a pandemia, refere o diácono Albino Martins

Foto: Folha do Domingo

Tavira, 03 jun (Ecclesia) – O diácono permanente Albino Martins, que desenvolve a sua missão pastoral e trabalho, “no outro Algarve, longe de tudo, longe do litoral”, saudou o regresso das celebrações comunitárias, depois de semanas de muita ansiedade para a população idosa, assustada com a Covid-19.

“Nota-se menos gente na igreja e conseguimos criar condições para acolher todos aqueles que vieram este domingo. É um alegria muito grande, do retorno à comunidade e à celebração da fé”, disse hoje Albino Martins, em declarações à Agência ECCLESIA.

O diácono permanente, com o padre Alberto Teixeira, trabalha em seis paróquias “num território muito vasto”, “que é todo o Concelho de Alcoutim e Cahopo”, onde “correu tudo dentro das orientações” da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e da Direção-Geral da Saúde, que “foram aplicadas e foram entendidas pelas pessoas”.

Após a suspensão decretada a 13 de março, pela CEP, as Missas regressaram a Alcoutim, Martim Longo, Cachopo e Giões, mas em Pereiro e Vaqueiros ainda foi possível “criar condições logísticas”, como “uma equipa de acolhimento capaz efetivamente de acolher quem chega”.

O diácono Albino Martins está no Cachopo, na serra algarvia, desde agosto de 1990, “uma zona que, para além de se estar a desertificar assustadoramente, é zona muito envelhecida”, na qual os idosos se encontram “muito isolados e em número muito reduzido”.

“Esta pandemia vem assustar muito esta população e as pessoas receiam visitas, receiam até os colaboradores das instituições que prestam apoio social no terreno. Felizmente, até agora nenhum caso de Covid é conhecido neste interior algarvio o que nos aliviou um pouco nesta pressão constante que temos em relação a esta problemática”, desenvolveu, assinalando que Cachopo “é uma das maiores freguesias do Algarve”, mas em território, mas tem cerca de 600 habitantes.

Albino Martins é presidente de três Centros Paroquiais – Martim Longo, Vaqueiros e Cachopo, onde decorreu o projeto ‘Isolados mas acompanhados’, com reforço dos recursos humanos e apoio social num reforço numa “linha de permanência que leva ao diálogo mais prolongado junto da população, e apoio também psicológico”, para se tornarem “mais próximos aliviando a pressão do medo que existe”.

“Temos situações detetadas de pessoas com problemas de stress, de ansiedade, e este serviço levasse a algum descomprimir na carga emocional”, acrescenta sobre o projeto que foi financiado pela iniciativa ‘Gulbenkian Cuida’, da Fundação Calouste de Gulbenkian.

Os Centros Paroquiais de Cachopo e Martim Longo têm ERPI – Estruturas Residenciais para Idosos – Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário – no primeiro as visitas aos utentes começaram esta segunda-feira, e no segundo foram adiadas duas semanas; em Vaqueiros  só têm as valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário.

O diácono Albino Martins explica que na fase de isolamento social “praticamente de 11 semanas” sentiram os idosos “mais agitados e mais ansiosos e estranhando a ausência dos familiares”, mas no Cachopo, uma antecâmara permitiu que “pudessem ver os filhos e manter algum diálogo”, numa “zona completamente protegida”.

“Em relação a muitos, a ausência não foi total, mas sentia-se que tinham necessidade da proximidade e também não perceber porque é que não podiam entrar, apesar de explicar o que se estava a passar e alguns começaram a fazer comparação com a pneumónica, alguns têm na memória esse acontecimento”, acrescentou.

CB/OC

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