«O espírito divino prolonga neles o lava-pés de Cristo, reavivando a imagem e recuperando a semelhança», afirmou o cardeal-patriarca de Lisboa na Missa da Ceia do Senhor

Foto: Lusa

Lisboa, 09 abr 2020 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa afirmou hoje que o lava-pés que Jesus fez aos discípulos continua nos tempos atuais com gestos que devem ser  reconhecidos e agradecidos.

“Reconheçamos agradecidos a solidariedade de tantas pessoas dos profissionais de saúde, a outros sectores fundamentais, às autoridades e às famílias. O espírito divino prolonga neles o lava-pés de Cristo, reavivando a imagem e recuperando a semelhança”, afirmou D. Manuel Clemente, na celebração vespertina da Ceia do Senhor, na Sé de Lisboa.

Também o lava-pés se concretiza “nas comunidades cristãs e nos seus ministros, que mesmo sem possibilidade de celebrar presencialmente, o fazem sempre por todos”, reconheceu.

D. Manuel Clemente reconheceu as “circunstâncias difíceis” em que se celebra esta eucaristia, e por isso, sublinha “mais necessitadas de Cristo”.

Segundo o relato da última ceia, dirigindo-se aos discípulos, Jesus perguntou se eles compreendiam o gesto do lava-pés e do mandamento do amor.

“Quase dois mil anos depois não reduzimos a premência da pergunta nem esgotamos a resposta. À pergunta de Cristo temos de responder sinceramente que sim, queremos entender e cumprir mais e melhor o que ele ali fez e que, através de nós quer continuar a fazer”, indicou.

D. Manuel Clemente sublinhou “bons exemplos de reinar, servindo”, nestes tempos autuais, de “combate à atual pandemia”.

“São os que mais admirados reconhecendo o bem que fazem. Perduram na nossa gratidão”, assinalou.

O cardeal-patriarca de Lisboa disse que a humildade não é uma “condescendência ocasional”, mas antes um “sentimento essencial”.

“É um modo divino de ser, humanamente oferecido e traduzido. O serviço aos outros é um sacrifício que Deus pede e bem o souberam fazer as primeiras gerações cristãs face aos mais desesperados do seu tempo”, recordou.

O lava-pés de Cristo, indicou, “resume uma atitude total de Deus para nós e nós para Deus”.

“Agradeçamos a Cristo sacerdote a manifestação em tantos sacerdotes que reproduzem o cuidado pastoral com grande generosidade criativa. Assim continua o lava-pés de Cristo no sentido absoluto do termo para compreendermos como Deus é e atua, e assim a santa missa se faz santa missão”, finalizou.

LS

 

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